Sempre que existem campanhas para eleições, sejam elas quais forem, os candidatos, de uma forma geral, tendem a exagerar as suas promessas de resolução dos problemas, desvirtuam o sentido ético da campanha e tornam-se, conscientemente, cúmplices da mentira, porque sabem de antemão que há objectivos que nunca poderão atingir. E enganar os eleitores parece ser a arte de muitos políticos. Por isso mesmo, ninguém se admire com as elevadas percentagens de abstencionismo que costumam caracterizar os actos eleitorais.

Num recente debate, os candidatos à presidência da Câmara de Viana do Castelo acabaram por confirmar isto mesmo porque, para além de tentarem desacreditar o experiente candidato com mais possibilidades de vencer, todos utilizaram os mesmos chavões que soam bem ao ouvido dos eleitores, mas que na prática não passam de fantasias.

Habitação, emprego de qualidade, perda de população, educação e outros chavões foram palavras que os eleitores estão cansados de ouvir. Simplesmente porque, sendo estas políticas de âmbito nacional, não é o poder local que as vai resolver por inteiro, uma vez que não dispõe dos recursos financeiros para o fazer e, por isso, mais valia terem elencado outras temáticas mais exequíveis.

O que pode o candidato vencedor fazer pela habitação? Reduzir o valor do metro quadrado quando se compra uma casa? Disponibilizar terrenos para construção?  Assumir as rendas dos mais desfavorecidos? Fazer obras gratuitas nos prédios degradados para que se tornem habitáveis? Diminuir as taxas que são cobradas? Obrigar os construtores a baixar os preços? Construir bairros sociais? Embora algo possa decidir, o facto é que este chavão não passa de um grande engodo, servindo apenas para confundir os eleitores.

E que dizer da perda de população? Se o nosso órgão legislativo por excelência aprovou legislação aberrante e anti-humana, que permite e paga os abortos no Serviço Nacional de Saúde, matando-se seres humanos que foram gerados; se o mesmo órgão aprovou também a eutanásia abrindo caminho para acabar com a vida dos idosos; se aprovou os casamentos homossexuais, que não se podem reproduzir; se permite que se mude de sexo como quem muda de sapatos; se permite negar a uma criança o direito natural de ter uma mãe e um pai; se legitimou uma imoralidade que não respeita a vida, digam os nossos leitores que poder especial tem um presidente de Câmara para alterar este conjunto de aberrações sociais? Como é que o problema demográfico do nosso concelho pode ser resolvido? A solução será atrair famílias de outras paragens? E que especiais condições lhes poderão ser oferecidas para que alterem as suas vidas?

O emprego é directamente proporcional ao investimento. Um candidato à presidência da Câmara comparou Viana do Castelo com o Concelho Braga. Naturalmente que, em termos de desenvolvimento industrial, Braga sempre foi um polo importante na diversificação e atracção das empresas. Lembro-me da Grundig, da fábrica Pachancho, da fábrica de sabonetes Confiança, da fábrica de balanças e básculas Cachapuz, etc, que empregavam muitos trabalhadores. Ora Viana do Castelo só por volta dos anos 80 criou condições para a sua atracção industrial, o que significa que, com excepção dos estaleiros navais e da empresa de pesca, esteve praticamente parada no tempo, enquanto outros concelhos muito mais dinâmicos progrediram de forma diversificada como foi o de Braga.  Na actualidade, realce-se que Viana possui um parque industrial já com alguma relevância, pelo que tudo o mais que possa ser feito não será novo, mas uma obrigação do candidato que seja vencedor do acto eleitoral.

Quanto à educação, também sabemos que as decisões políticas relevantes provêm do governo central, que vai descentralizando aos poucos as competências, entregando-as às autarquias. Passos importantes têm sido dados, mas está-lhes associada a atribuição de recursos financeiros que o governo não disponibiliza na exacta medida das necessidades. Assim, as Câmaras pouco mais podem fazer do que pressionar os governantes e fazer uns remendos.

Estou de acordo com a CDU, quando defende o regresso da gestão das águas à Câmara Municipal, na medida em que se trata de um bem público essencial, e público deve permanecer, até porque antes da privatização já era considerada uma das melhores, senão a melhor água do país, o que significa uma gestão de excelência por parte dos Serviços Municipalizados. E como aquilo que é de excelência deve ser preservado, neste caso na esfera municipal, apoio inteiramente todos os esforços pelo retorno da gestão das águas à nossa autarquia.

Gostava de ver novas ideias para desenvolver o turismo local, os desportos náuticos e todas as estruturas que lhes estão associadas. É importante avançar rapidamente com o desenvolvimento do porto de mar, capacitando-o e impulsionando-o para receber mais navios, e criar condições para um terminal de cruzeiros, por forma a transformar Viana num polo desejável para visitar, investir e viver. Retirar o pórtico do Neiva é outra prioridade que deveria ser assumida, para acabar de vez com o estrangulamento das empresas e dos vianenses.

Continuo a pensar que Viana tem um deficit de personalidades com perfil de estadistas, com forte peso político e social para imporem dinâmicas imparáveis no concelho. Já as tivemos, mas à medida que os anos vão passando, novas gerações querem assumir-se, faltando-lhes, no entanto, substrato, experiência, e, sobretudo, o génio. E embora haja jovens muito promissores com capacidades intelectuais acima da média, o facto é que preferem seguir outros caminhos fora da política activa para se realizarem. Em contrapartida, surge uma certa mediocridade de oportunistas que se vai aproveitando da situação para os seus interesses pessoais.

N.R.: O autor não escreve segundo as regras do novo acordo ortográfico.