Depois deste período longo de duas campanhas eleitorais (as autárquicas e as legislativas), é agora tempo de repensar algumas medidas essenciais para o nosso querido país. De entre muitas dessas medidas está, sem dúvida nenhuma, a morte do seu interior. 

Citando o escritor Miguel Real: “(…cabe aos ingénuos endireitar o mundo que os espertos têm entortado”1. Isto aplica-se à “desertificação” de todo o interior do país, (sobretudo do Nordeste Transmontano), região que eu habito grande parte do ano. Bem sei que nem todo o litoral tem sido desenvolvido de igual maneira mas, quem aqui vive (eu vivo em Mogadouro), sente que esta região está a ficar cada vez mais despovoada. 

É esta a conversa que eu ouço todos os dias no café, nas escolas, nos supermercados, enfim…por todo o lado. A que se deve isto? (que já não é de agora, mas cada vez se acentua mais). 

Há várias razões, entre elas a falta de empregos para a juventude. Os jovens vão estudar para o Litoral e já não voltam para a sua terra de origem, pois não têm emprego (cito, como exceção, o IPB – Instituto Politécnico de Bragança (mais muitos dos seus alunos são de países estrangeiros), e a UTAD – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Para além disto, a falta de empresas e, finalmente, (para não me alongar muito), a falta de trabalhadores e de incentivo para a agricultura, a grande riqueza de Trás-os-Montes (excetuando a produção de bom vinho, cuja cultura não só se está a expandir, sobretudo no Alto-Douro Vinhateiro, mas a melhorar de qualidade em outras regiões transmontanas). No fundo, são estas as grandes razões deste atraso e desertificação. Saliente-se que grande parte das pessoas que vivem nas aldeias, são pessoas já de idade. 

Honra seja feita à IC5 e a algumas autoestradas que facilitam a circulação interna e para os “litorais” (bem sei que está a acontecer no chamado “Minho interior”. 

Para finalizar, quero dizer que o Governo e o Litoral têm de “olhar” para estas lindas paisagens de outra maneira. Portugal não é só Lisboa e Porto, é todo o conjunto do país. Era isto que hoje eu queria desabafar com os meus conterrâneos minhotos.  Amo muito o meu querido país, e gostava de o ver povoado e desenvolvido por todo o seu território.