Francisco Cruz foi uma referência de cidadania em Viana do Castelo, pelos seus préstimos voluntariosos que sempre disponibilizou, durante anos, às Festas d’Agonia.

Embora todos saibamos que não há pessoas insubstituíveis, o seu passamento, esta semana (pg. 3), veio relembrar aos vianenses a perda de uma personalidade bem conhecida de todos pelo seu carácter de trato gentil, aberto, íntegro e bem humorado que soube sempre disponibilizar ao seu semelhante, sobretudo, em prol da cidade.

Francisco Cruz destacou-se como cidadão de empenhado mérito sempre que foi chamado, especialmente, nos anos difíceis da criação das comissões para a organização das festas da
cidade. Particularmente, nos finais dos anos 60, do tempo das comissões angariadoras
de subsídios junto do depauperado comércio vianense, até mais tarde, já depois do período difícil da pós-Revolução de Abril de 74. Nunca se negou, criando com outros vianenses a VianaFestas.

Embora distantes de Francisco Cruz, desde logo pela diferença de idades, reconhecemos na figura deste vianense adoptivo um homem de uma postura íntegra. Uma elegância que irradiava simpatia logo ao primeiro contacto, tornando fácil, desse modo, arranjar consensos.

A inevitabilidade efémera da vida faz-nos pensar que há pessoas que deviam durar eternamente. Essa necessidade é ultrapassada quando os exemplos de comportamento cívico são de tal mérito e ficam na memória da sociedade para a história, como a de Francisco Cruz.

Do repentismo que o canto ao desafio pode conduzir

Temos este fim-de-semana, no Teatro Sá de Miranda, um acontecimento praticamente inédito nesta cidade (pg.3) e que o vai encher.

Se atentarmos no que costuma normalmente acontecer em espectáculos de “batucadas
baixas ou altas”, que deixam os espectadores em estado letárgico ou hipnótico, monopolizados pela produção ritmada… teremos, desta vez, repentismos que vão
surgir da espontaneidade dos espectadores da plateia, das frisas ou camarotes de nosso magnífico teatro. Vamos ver se neste tão genuíno canto popular, damos lições aos estrangeirismos dos “bate de qualquer forma”.