Criados à imagem e semelhança de Deus, o homem e a mulher casados foram feitos um para o outro. Isto não quer dizer que Deus os tenha feito incompletos ou a meias, mas que Deus os criou para uma comunhão de pessoas em que cada um está destinado a ser o auxiliar do outro. São de facto iguais, enquanto pessoas, mas são complementares, enquanto um é masculino e o outro é feminino. E por esses motivos que o ato de amar inclui não só a estima, mas também a valorização das diferenças visíveis e invisíveis entre um homem e uma mulher. E tudo isto sem esquecer que há diferenças marcantes que foram queridas por Deus desde o princípio da criação do mundo.

A maior felicidade a que uma mulher pode aspirar no seu casamento é ter um marido que verdadeiramente o seja, isto é, que seja verdadeiramente um homem que, como tal, inclui inúmeras— disse inúmeras— asperezas, que ela saberá compreender, respeitar e até amar porque isso mesmo é o ser dele. Ele é diferente; não é divino nem angélico nem muito menos um santo de pau carunchento. Isso: o marido não é carunchento. Mas, aqui só para nós, esperemos que também não seja moliquento, indolente, indecente, rabugento, ferrugento, peguilhento, ciumento, quezilento, sarnento, altifalante ou por aí adiante.

E, por seu lado, a maior felicidade a que um homem pode aspirar no seu casamento é ter uma mulher que verdadeiramente o seja, isto é, que seja uma verdadeira esposa mesmo com todos os pormenores que lhe possa causar a sua misteriosa e delicada afetividade. Ela não é uma deusa, um anjo, uma coisa, uma escrava e muito menos um bombo de festa. Porra! … Percebeu isto?… Ela é um ser humano e uma cidadã do infinito com tal categoria que até conseguiu chegar a Presidente da União Europeia e a Rainha da Inglaterra. Isso mesmo. O marido que percebe isto pode e deve considerar-se um cavalheiro situado, um homem honrado, um cidadão dignificado, um varão invejado.

O marido precisa das qualidades femininas que ele não tem, e a esposa precisa das qualidades masculinas, que ela também não tem. Os dois completam-se num específico apoio que nem o homem encontra nos outros machos nem a mulher encontra nas outras fêmeas. E é isto mesmo que, aspergido com a liga da fé sobrenatural, dá valor ao sofrimento que as diferenças causam mas que, por seu lado, dão liga e paladar ao casamento. Vivendo as diferenças e os defeitos sem calculismo, o matrimónio singra sem solavancos, avança sem trancos, salta barrancos, pesca mancos e até pode ir a Tancos.

Assim praticado mas nunca gramado nem suportado, o amor matrimonial conduz serenamente os amantes à felicidade conjugal. Mas esta felicidade, diga-se de novo e em abono da verdade, sempre, mas sempre, incluirá a chatice de algum espirro ocasional, provocado por um vírus que não é o da gripe nem o vírus da constipação. Também percebido? Ainda bem.

Tantas infelicidades conjugais que acontecem são motivadas pela falta da dita liga que conduz o casal à beatitude do lar. Faltando a liga da fé, entra-se num processo de dolorosa crise pessoal-existencial que só dista um passo da crise matrimonial. Essa dita liga concretiza-se numa pessoa que tem o nome de Jesus Cristo e que, dentro das chatices ou perrices a dois, leva cada um a exclamar: «seja por amor de Deus» ou «valha-me Deus».

O Papa disse que é necessário viver a palavra LOD que significa: «licença, obrigado e desculpa». E o mesmo Papa exemplificou: «posso fazer isto?» gostas que faça isto?»; mas isto diz-se– disse ele— com a tonalidade de quem pede licença sem medo e também sem medo dizer muitas vezes «obrigado». E porque todos erramos, não fica nada mal aos casados dizer um ao outro: «desculpa amor», «são coisas da vida».

  • -Anda meu cônjuge: baixa a bolinha e porta-te bem.
  • -Anda minha amada: dá–me um sorriso e pronto; amém.