Sou por natureza, uma pessoa optimista, contudo não “passo ao lado” das coisas tristes que vão acontecendo, ao longo da minha vida. Como diz o povo, com alguma razão, “uma desgraça nunca vem sozinha”, e foi o que aconteceu na nossa Viana, muito recentemente. No meu último artigo publicado na nossa “A Aurora do Lima”, falei do fecho da “histórica” Casa Valença, poucos dias depois, soube da triste notícia do fecho da, também histórica Casa Caravela. Confesso que fiquei triste, muito triste.

Era frequentador do chamado “Café Bar” desde a minha meninice, quando ia para lá com o meu avô materno, António José Gonçalves Ramos, que lá se reunia com a sua vasta tertúlia de amigos, quase todos professores “primários” (como se designavam na altura) reformados. Mais tarde, continuei a frequentar o “Café Bar”, com o meu saudoso tio Gaspar Gama Pereira Pimenta de Castro, mais conhecido como “o Senhor Gasparinho Gama”, ele próprio também uma “figura histórica de Viana do seu tempo), onde também se reunia com a sua vastíssima tertúlia de amigos.

Que saudades tenho, meus Deus!. Confesso que não gostei da “remodelação” feita nos últimos tempos neste café, por duas razões: primeiro porque achei horrível o seu último “restauro”, em que se desperdiçou totalmente o seu primeiro andar, dando um ar desconfortável ao café; segundo porque no meu tempo de “menino e moço”, havia a pastelaria Caravela, que era frequentada sobre tudo por senhoras e o “Café Bar”, maioritariamente por homens, embora também o fosse por algumas senhoras.

Com o fecho, já há uns anitos do “Café Américo”, com o fechar recentemente da Casa Valença e agora da Caravela, a Praça da República, a nossa “sala de visitas” ficou mais pobre, diria mesmo, muito mais pobre. Fiquei triste, muito triste, eu que tenho no meu ADN a alegria do alto-minho, particularmente da nossa querida Viana do Castelo. Para acabar este triste artigo direi que não é só em Viana do Castelo que isto acontece.

Com este falso “progresso”, por todo o lado (Porto, Lisboa, Braga, etc…) se vêm casas “históricas” a fecharem (alfarrabistas, livrarias, outros centros culturais, casas tradicionais, etc…), que tristeza eu sinto. Pobre país este! Com o “reativar” da pandemia, do coronavírus, temo, muito sinceramente que o mal se espalhe e vejamos muito desemprego, muitas outras casas a fecharem…Deus queira que eu esteja enganado…