Para evitar qualquer erro de interpretação, quero começar por afirmar que tenho pelos enfermeiros portugueses o maior respeito e admiração, para tal bastando recordar aqueles que, por falta de condições existentes no país, emigraram, dando rapidamente provas da sua excelência profissional nos países em que encontraram trabalho.

Também – e creio que já o afirmei nas páginas deste mesmo jornal – considero o direito à greve um direito inalienável e uma das conquistas mais importantes da revolução dos cravos.
Nada disto está em causa, isto é, os enfermeiros são profissionais competentes e têm o direito à greve.

Simplesmente sucede que, simultaneamente aos direitos, existem deveres que não podem ser ignorados.

Antes de tudo, há que limitar as exigências ao que a situação permite satisfazer ou, pelo menos, ter abertura para negociar e não esquecer que em alguns setores – e os relacionados com o SNS são prioritários nesse aspeto – os problemas criados acabam por se refletir sobretudo sobre as camadas mais indefesas da população.

Há sobretudo que evitar que as questões laborais sejam utilizadas como armas de arremesso políticas, neste caso logo num período como o atual com três processos eleitorais programados.

Será pura coincidência o facto de “a estrela” do processo ser a Bastonária da Ordem dos Enfermeiros, que, por acaso, até é um quadro relevante do PSD que, todos sabemos, votou – de mãos dadas com o CDS – contra a criação do SNS?

Também gostaria de perceber porque razão é que a greve se limita aos enfermeiros do SNS, enquanto os seus colegas ao serviço dos privados, ao que me consta com salários inferiores e com 40 horas de trabalho semanal em vez das suas 35, nela não participam…

Para terminar, apenas uma pergunta inocente: qual é a origem dos fundos que aparentemente transformam esta greve numa espécie de férias pagas?

Dionísio Ferreira