Ocasionalmente, encontrei-me com o senhor Carlos Fernando da Costa Manso, natural e residente em Vila de Punhe, mais conhecido pelo senhor Manso. Um dos pioneiros, e talvez dos últimos operários ainda vivos, que trabalhou na edificação do templo monumento de Sta. Luzia. Conta atualmente a bonita idade de 91 anos e dispõe ainda de uma excelente lucidez de memória.

Foram vários os que daquela aldeia, sob as ordens do arquiteto Miguel Nogueira e do Mestre Lima trabalharam, deixando cunhos para a posteridade.

Em conversa amena, o senhor Manso disse: “Tinha apenas 13 anos quando fui trabalhar para Sta. Luzia, corria o ano de 1940. Comecei por trabalhar como ajudante de ferreiro, num telheiro montado a cerca de uns 50 metros da obra. Recolhia os picos e os cinzeis e tinha que dar ao fole para serem aguçados por um companheiro mais velho, natural de Alvarães. Nas horas vagas, tinha que proceder à limpeza de todo o telheiro. Na época, outros rapazes cá da terra eram recrutados pelo Mestre Lima e, de vez em quando, eram mudados de local para progredirem. A mim, numa dessas mudas, tocou-me ter de carregar cantaria sob as ordens do meu sub encarregado, Tone da Órfã, natural das Neves, bem mais velho que eu. Carregávamos a pedra para um vagonete para, de seguida, ser encaminhada para debaixo do guincho. Fui-me aperfeiçoando na cantaria e desenvolvendo um pouco, a tal ponto que, passado uns tempos, como o ordenado era baixo, mudei de patrão.

Mesmo ali ao lado, onde hoje é um jardim, andavam a fazer umas obras. Era tudo monte! O encarregado dessa obra era um senhor chamado Carapito, também morador em Vila de Punhe. Ainda fiquei por ali algum tempo.

Recordo que quando mudei, já o Templo de Sta. Luzia ia nas abóbadas. Posteriormente, saí de lá para ir trabalhar na construção do Convento dos padres Passionistas de Barroselas.
Dali fui para a construção das escolas primárias. Trabalhei a pedra, desde Fragoso, Barcelos, até Bragança. Os projetos eram quase todos iguais, com mais sala menos sala.

Era na altura encarregado geral um senhor das Neves, chamado Zé da Carvoeira, morava na rua Matias Santos, que na altura ainda não tinha nome. Entretanto, casei e fui biscatando pela aldeia e arredores. Em 1960 fui para França e regressei definitivamente aos 60 anos de idade”.

Aqui fica a história de um dos poucos canteiros que, tendo trabalhado nas obras do Templo Monumento de Sta. Luzia, ainda permanece entre os vivos.