A homossexualidade é a atração sexual sentida por pessoas do mesmo sexo. Homossexual é o homem ou a mulher que, congenitamente, sente forte atração sexual pelas pessoas do mesmo sexo e não pelas pessoas de sexo diferente. Cedo percebi que

não se pode passar por cima de tal realidade e muito menos fazer de conta que nada acontece, à maneira de quem assobia para o lado. A homossexualidade existe, é forte e muitas vezes visível. Quem a carrega vive uma grande prova, sente íntima inibição e até carrega tiques psíquicos. O pensamento mói, machuca, insiste e persiste. As vítimas sofrem e fazem sofrer. E sofrem sem ser culpadas de nada. Dizia a minha irmã Luisinha que “são sortes que tocam a quem toca”.

É nosso dever acolhê-las, igualá-las, estimá-las, respeitá-las e ter sempre em conta que qualquer compaixão que signifique coitadinho ou coitadinha, longe de ser compaixão, é uma grave ofensa. Os homossexuais são tão humanos como nós, são tão cidadãos deste mundo como nós, e são tão herdeiros da pátria que esperamos, como nós. Não são ilegítimos ou bastardos da criação, mas imagem e semelhança do Único Deus Invisível que também é Senhor do céu e da terra e que também sobre eles tem desígnios de misericórdia. Eles não se escolheram assim nem a si mesmos se modelaram. Dentro do mundo das interrogações, há sempre mistérios sem resposta. Por isso mesmo, nada de discriminação.

Quando tive de me referir a este tema, sempre evitei a palavra anomalia, absurdo da natureza, aberração fatal ou vítima do fatalismo, como por vezes ouvi dos (e das) que assim foram rotulados por gente com responsabilidade. Chamando-lhe uma inclinação ou tendência desviante, digo claramente que não é pecaminosa. Não é pecado ser aquilo que se é. A inclinação não é pecado. Mas devo acrescentar que tais pessoas, como quaisquer outras e como todas as outras, são chamadas à castidade. O sexto mandamento dado por Deus a Moisés no Monte Sinai foi dado a todos e é igual para todos. Tais pessoas, como todas as outras, são chamadas à vivência da castidade normal, lutando contra as paixões com a força do auto domínio, com o apoio de uma amizade conselheira e com vida espiritual orante.

Na minha missão de padre, atendi uma maioria que já tinha consultado o astrólogo, o psicólogo, o sexólogo e o neurólogo. E, tomando eu conhecimento do que estes lhes houveram dito, modéstia aparte, sempre me senti muito à frente do astrólogo parlapatão. No meu remate dialogante dizia e ainda digo: Encara de frente e olha para o céu. E aos de Viana do Castelo acrescentava, e acrescento ainda, que também olhem para o Monte de Santa Luzia. E, na hora da despedida, sempre percebi que todos concordavam com a minha finalização: não te esqueças que tens para a vida, mas, se tu quiseres, a Graça de Deus será o teu conforto.