E eis a velha questão:
Será que, futuramente, estaremos condenados a consumir toda e qualquer informação através da imagem e do digital?

Será que o ser humano irá, um dia, sobrevalorizar a imagem e o suporte digital banindo definitivamente a imprensa em papel?

Como se sabe, o papel é o meio, por excelência, de transmissão e difusão de informação mais usado de todos os tempos, se bem que, outrora, os jornais tenham sido essencialmente para elites, tendo deixado uma parte da sociedade de fora.

Com a evolução, a cultura e as mentalidades das populações foram-se adaptando aos novos tempos e aos novos desafios, o que se deve, em parte, aos novos instrumentos digitais, às novas tecnologias. A relação que a geração atual tem com os meios de comunicação social é muito diferente da dos nossos antepassados.

A era digital veio revolucionar o mundo. Se por um lado, o suporte digital permite às populações, e a quem dela faz uso, uma informação atualizada ao minuto, tal facto não é possível na versão em papel. Mas, se é verdade que a era do digital veio revolucionar o mundo, também não é menos verdade que veio acentuar as disparidades e as desigualdades sociais.

Os citadinos, com acesso a qualquer tipo de informação/comunicação, vs aldeões que não gozam desse mesmo privilégio, condiciona, muitas vezes, a sua vida diária. Muitos não têm computador quanto mais acesso à internet…. Outros não têm sequer formação na área das novas tecnologias. Como podem, por exemplo, verificar, registar, submeter e consultar as faturas do IRS?

E os perigos a que estamos sujeitos aquando do impacto visual e da fugacidade com que a informação nos é transmitida pelo suporte digital? Impede-nos de refletir, de pensar, de raciocinar, de reagir face aos factos apresentados/transmitidos e mesmo de avaliar a autenticidade dos acontecimentos. E até nos impede de filtrar a informação! Manipula-nos, formata-nos!

Por isso, é urgente que o papel, tendo sido, desde sempre, o meio mais importante de transmissão e difusão de informação, seja valorizado pelos cidadãos e, sobretudo pelas instituições governativas. Ao longo do tempo, e com a evolução das sociedades e dos meios de comunicação, o jornal tem vindo a perder a sua verdadeira função de fazer refletir e de pensar tornando-se um meio de entretimento e de sensacionalismo, graças aos seus conteúdos e formatação.

É imperioso que a imprensa escrita em papel revigore a sua função de veículo transmissor de informação; que volte a ser um ponto de referência para aqueles que não só procuram informar-se, como também sentir o prazer de folhear um jornal, uma revista, até um pasquim…

Enfim, apesar das suas vantagens e/ou desvantagens, os meios de comunicação, sejam eles quais forem, são reveladores da sua importância no nosso quotidiano e podem “mudar vidas e a nossa história de vida”!

Conceição Meira

Prof. Ensino Sec. Português/Francês