Uma multidão fanática forçou o mais famoso tribunal da história a condenar Jesus Cristo à vergonhosa morte de cruz.
Impressiona-me o facto de o arguido ser inocente. Impressiona-me a brutalidade da sentença capital sempre preferida pelas multidões infrenes. Impressiona-me a certeza irracional da turba sobre a culpa do acusado. Impressiona-me a certeza certa que as multidões têm, dentro da sua irracionalidade. Impressiona-me, acima de tudo, o facto de ninguém ter erguido a voz para defender o arguido. Nenhuma testemunha de defesa; mesmo nenhuma: nem parentes nem aderentes; nem miraculados nem ressuscitados. Ninguém teve a menor dúvida: — É RÉU DE MORTE. Pena máxima. E o Pilatos julgador, mesmo cheio de dúvidas e nenhuma certeza, lavou as mãos e entregou o réu. Foi há dois mil anos.
E tudo isto aconteceu não pela inexorabilidade do “tinha que ser” mas porque os senhores do templo tinham intoxicado a opinião pública e tinham calado os que acreditavam na sua inocência. A cobardia medrosa e a feia vergonha embargaram a voz de quem devia falar.
A opinião pública intoxicada é muito perigosa. Hoje como ontem. E a de hoje está mesmo intoxicada: está doutorada em carreirismo cego e em refinada má-língua. Este jeito de ser cristão tornou o cristianismo numa tradição cultural e só.
Aqui vai a minha opinião: se queres ser diferente, acredita em mim: o cristianismo não é mais uma teoria que se aprende, mas uma vida a viver. A viver na vida de cada dia e não só quando dá jeito.
Estendo-te o convite: Sobe a serra de Santa Luzia e entra no Santuário do Coração de Jesus. O templo também é teu. Mas não vás cumprir uma tradição ou visitar um lugar bonito. Vai viver Jesus Cristo de coração aberto. E não te interrogues por que razão este pregador só raras vezes é que lá é visto. Ele não deve fazer cócegas na planta dos pés de quem lá trabalha. Mas acredita que o SANTUÁRIO é tanto meu que até o meu santo Bispo me disse no dia 28 de junho passado: — Senhor Padre Quintas, está no seu SANTUÁRIO. Exatamente. No meu SANTUÁRIO, mas não no Templo Monumento de Santa Luzia. Felizmente, nem todos dormem.

(Imagem: “Olhar Viana do Castelo”)