Assim como da noite para o dia, como convém às surpresas, boas ou más, surgiu, de sopetão, lá nos livros que os Governos usam para ditar “as suas leis”, (Diário da República), a publicação de que aqui e acolá iriam avançar prospecções no sentido de localizar/ detectar filões de lítio, o ouro dos novos tempos!

Pelo que se vai constatando todos os Órgãos do Poder Local estavam “a leste” de tais trabalhos e, por isso, só começaram a reagir quando quase tudo estava cozinhado e quando no terreno já apareciam movimentações e sinais de que algo iria acontecer!

Todos sabemos que o sub-solo não é propriedade privada e que sobre o mesmo só o poder central tem capacidade decisória, mas oh gente!, os tempos sucedem-se e trazem novas exigências e novas formas de actuar que obrigam ao respeito pelos agentes políticos locais e pelos direitos dos cidadãos, quer se trate de direitos morais ou patrimoniais ou mesmo de outra ordem como sejam os direitos ambientais e de respeito pelas condições de saúde, de trabalho ou de habitação, numa ordem que a própria democracia impõe!

Ora, pelos vistos, nada disto foi respeitado, o Governo, lá do alto da sua tribuna decidiu autorizar que se dessem os primeiros passos e depois logo se vê!

Pelo que vamos lendo um dos sítios a esventrar e a destruir é o “pulmão” da Serra d`Arga já há algumas décadas atrás palco da desenfreada exploração do volfrâmio que deixou mais destruição do que riqueza na região, a par das doenças que muitos daqueles que aí trabalharam contraíram!

É pois com muita preocupação que acompanhamos todos aqueles que, de um modo ou de outro, se têm manifestado contra este possível atentado ambiental, sem que ninguém se mostre preocupado com as consequências que podem surgir se tal atentado for cometido!

É lamentável que antes das autorizações já concedidas pelo Governo não se tivessem auscultado os Autarcas, Assembleias e Câmaras Municipais e mesmo os Órgãos de Freguesia, quer para saber das suas objecções ao projecto, quer mesmo esclarecendo dúvidas e receios sobre o mesmo!

Para além disso sempre que tais projectos vão aparecendo e se vão concretizando, as “mais valias” são sempre muito mais aproveitadas por outros que por aqueles que são os localmente afectados, e mesmo por economias terceiras que não as do nosso próprio País!

Deixo as minhas dúvidas, mas também a minha opinião, de que esta não é a via para o desenvolvimento e progresso da Região do Alto Minho que tanto ambicionamos e que decerto merecemos no contexto do País que estamos e queremos ajudar a crescer e a melhorar.