Todas as cidades têm lojas com história. São as que, nos mais diversos ramos de negócio, sabem resistir à erosão dos tempos, adaptando-se às sucessivas mudanças a que o passar das épocas vão obrigando. E, infelizmente, os ajustamentos que a evolução natural da vida exige nem sempre são assimilados pelos variados agentes comerciais.

O negócio tem várias componentes, e quem o pratica não tem dúvidas a esse respeito. Não basta a simpatia e o bom atendimento, se bem que estas figurem como características principais em qualquer atividade comercial. É preciso ter qualidade no que se vende e saber comercializar bem, comprando ou produzindo de forma a tornar concorrencial o produto que se transaciona. Só assim os negócios se acreditam e são rentáveis, resistindo no tempo, bem como os espaços que os suportam. Só assim se criam as “Lojas Memória”, as lojas que, pela sua longevidade e características próprias, respeitamos e são dignas da nossa admiração.

Viana do Castelo, como tantas outras localidades, também tem as suas lojas com história, as suas “Lojas Memória”. Para traz, em todos os ramos de negócio, muitas não resistiram e foram desaparecendo, deixando um rasto de saudade entre os vianenses, porque nelas sempre encontraram qualidade e simpatia. Boa parte fechou portas, já que quem as geria não encontrou quem lhe desse continuidade. Os donos foram envelhecendo, sem que na família se encontrasse sucessores, pois nem sempre se arranja alguém com paciência para atender clientes, assumir riscos e suportar, tantas vezes, a incompreensão e falta de apoio dos poderes. Mesmo assim, para já, foram contabilizadas em Viana 44 “Lojas Memória” , que, mercê de regulamento próprio, passam a ter uma identificação que as distingue como tal.

Poder-se-á dizer que é pouco e que o que faz falta é criar mais e melhores condições para que quem comercializa produtos resista melhor à crise que se vive. Mas isso é válido para o comércio em geral. Na verdade, particularmente neste tempo de pandemia, a par do muito esforço que cada um dos comerciantes tem que despender, é bem importante que se promovam as condições possíveis para que no futuro sejam cada vez mais as “Lojas Memória”. Para já, temos as que temos, e nelas devemos ter muito orgulho, porque constituem ícones duma urbe que, acima de tudo, prima pela beleza, onde quem nos visita se sente bem e nos enaltece.