M. Amália nasce na Casa do Caçador, em Afife, a 19 de julho de 1931. Filha de Ana Rosa Afonso Meira e Raimundo Martins de Castro. Casa-se, em 15 de maio de 1956, na igreja de S. Domingos, com Agostinho José de Freitas Correia, filho de Manuel Costa Correia e de Maria Teresa da Costa. Frequentou a Escola Primária da sua terra natal.

Sua mãe, Ana Rosa Afonso Meira era uma mulher laboriosa, designadamente na indústria da panificação, no fabrico de diversas variedades de pão milho (broa), que vendia num estabelecimento de mercearia, com telefone de posto público. Fornecia também pão para Viana e Vila Praia de Âncora. Foi aí que M. Amália trabalhou durante longos anos. A panificação, nessa época, era um trabalho árduo. As massas eram preparadas e postas a levedar em masseiras. Os fornos tinham de ser previamente aquecidos, e tudo era executado ao longo da noite, para ser entregue durante a madrugada aos fregueses. A fama, do bom pão da “Casa do Caçador” era bem conhecida em toda a região. O avô de M. Amália, José Fernandes Meira, também desempenhou a atividade de padeiro. No lugar do Cruzeiro, em Afife, tinham um depósito de pão e de distribuição.

Maria Amália, como muitas conterrâneas, vestia o melhor traje usado em dias especiais.

Os bailes de Carnaval

No amplo salão no Casino Afifense realizavam-se, nesse tempo, os consagrados bailes e fazia-se também teatro amador. Foi aí que Agostinho Correia conheceu M. Amália. Era nesta sociedade de recreio que as famílias se encontravam, confraternizavam, faziam récitas teatrais, representavam as chamadas “revistas regionais”, de críticas locais e outras festas, tudo no intuito de conviver e atrair sócios para a coletividade.

Agostinho Correia foi guarda-livros da Fábrica de Chocolate “A Vianense”, na Rua do Gontim, e viveu o tempo áureo daquela fábrica. Entretanto, começou a vender “Bordados Regionais de Viana”, e fixa-se em S. Vicente, na Rua da Bandeira nº 567, onde monta um “armazém de retém” no R/C.

Maria Amália Meira de Castro, com 21 anos (1952), veste o traje regional de Afife, por ocasião da Romaria da Senhora da Agonia. Uma agradável surpresa para a família, acompanhada por muitas conterrâneas. Esta vestimenta era utilizada nas festas da freguesia, designadamente nas de Santo António, mas também em diversos concursos de trajes e paradas, sobretudo, nas festas da Senhora da Agonia.

Com as amigas exibia também os brincos “de rainha”, em forma de coração que tinham sido oferecidos pelos padrinhos de batismo e um fio de contas de ouro, ao peito, que a mãe comprara.

Em Afife era conhecida pela “Amália da Casa do Caçador” e contava muitas vezes que a casa dos avós, onde nasceu e viveu uma parte da vida, era das mais antigas de Afife. Fundada em 1747, por Manuel José Meira, manteve-se na família cerca de 223 anos.
Em 11 de novembro de 1968 nasce, na freguesia de Santa Maria Maior, o segundo filho Agostinho José de Castro Correia.

Os Regionais
Estávamos em 1974, o negócio de bordados regionais tinha atingido o seu expoente máximo. Dinâmico e trabalhador, homem de sucessos, Agostinho Correia e Amália, decidem comprar um apartamento no 5º andar do Edifício Jardim.

Agostinho Correia levou os bordados às mais longínquas paragens: África do Sul, Brasil, Antilhas Holandesas e Canadá. Vendeu para zonas turísticas, designadamente em Lisboa, Costa do Estoril e Cascais.

Fez exposições no Casino Estoril, com Amadeu Costa e nas feiras de Artesanato representou Viana, expôs, durante anos, os seus bordados e diversos artigos regionais.
Decorridos 40 anos, o apartamento onde morava era local de excelência no Edifício Jardim (vulgo “Prédio Coutinho”). Um espaço onde Amália desfrutava de uma vista panorâmica que gostava de contemplar — o Rio Lima, o Jardim Público, e o mar! … Na verdade uma beleza ímpar, que qualquer pessoa gostaria de usufruir. Os filhos residiam no edifício mesmo ao lado. Estar junto da família era também uma vontade, sempre atenta e preocupante.

Doente, inquietada com o que a rodeava, acabou por falecer no dia 01 deste mês, com 87 anos, no hospital de Viana do Castelo.

Encontra-se sepultada em jazigo da família, no Cemitério Municipal de Viana do Castelo. Que fique em memória e descanse em paz.

JRCC