Francisco, faleceu com 77 anos de idade, em 15-5-1558. Nascido em Coimbra, terminou seus dias em terras minhotas. Seu nome figura como patrono do “Teatro” da nossa cidade e duma “Escola Secundária” (ex-Liceu) de Braga.

O meu prezado Leitor talvez queira saber algo mais acerca da sua biografia. Eis alguns elementos: Jurista, Poeta, Dramaturgo, Humanista, Crítico da Sociedade do seu tempo, inclusive da CORTE de Dom João III – o Piedoso – o mesmo que pediu e aceitou em Portugal – 1536 – a Inquisição e os “Jesuítas” (para combater o Protestantismo oriundo do norte Europeu).

Sá de Miranda sabia do que falava, pois também viveu e conviveu na Corte daquele Monarca, que até lhe concedera a “Comenda de duas igrejas” (Vila Verde – amares) onde vivera, casado e com filhos, e onde jaz. Espírito muito culto, amigo do alto-minhoto “Diogo Couto”, jornadeou por Itália, onde conviveu com pessoas ilustres e donde importou novidades na Poesia (Soneto, Canção, etc.)…

Pois bem, prezado Leitor, “Sá de Miranda” escreveu, entre outras obras, Poemas, Cartas, Sátiras. Numa destas sátiras, dirigida aos cortesãos da Corte real, satiriza assim:

“Homem dum só parecer,

dum só rosto, uma só Fé,

de antes quebrar que torcer,

outra coisa pode ser,

mas da Corte homem não é.”

 

Ora tu, caro Leitor, se releres e analisares atentamente esta sátira, concluirás como eu haver ali uma crítica mordaz aos Cortesãos… Não merecem grande crédito, pois querem parecer e não ser ou também parecer segundo as conveniências, interesses, oportunismos… Falta-lhes a virtude da personalidade, do carácter, da verticalidade, da seriedade…

Sendo assim, e dado que a “Corte” deixou de existir a partir de 1910, passando a chamar-se, desde então, “Parlamento – São Bento – Belém”, será absurdo e abusivo encaixar, aqui, o título desta minha humilde Crónica, aplicando à Política, aos Órgãos de Soberania da nossa Democracia a referida sátira de Sá de Miranda, dirigida à Corte joanina…!?

Eu não afirmo nem nego, deixo ao critério do meu prezado Leitor… Talvez não ficasse mal transformar o último verso em “mas da sã Democracia homem não é”…