A Diocese de Viana do Castelo encontra-se a viver o segundo ano de um Triénio Pastoral destinado a assinalar os quarenta anos da sua fundação (ocorrida a 03 de Novembro de 1977 por São Paulo VI). Depois do convite a agradecer, feito no último ano, agora – como complemento do primeiro – surge o convite a reanimar o ardor evangelizador, sob inspiração do lema «Somos Igreja que Evangeliza».

É neste espírito que somos convidados a celebrar o Natal do Senhor. Na verdade, no Natal celebramos, essencialmente, o momento em que a «boa notícia» do amor de Deus, revelada desde as origens, assume a forma humana; celebramos o momento em que Deus se torna humano, «o mais humano dos humanos», nas palavras de Bento XVI, porque Aquele que dá sentido à nossa humanidade.

No Natal celebramos, por isso, o momento em que o Evangelho encarna na história para não mais deixar de iluminar e alimentar essa mesma história, já não através da pessoa de Cristo em si mesma, mas através da vida de cada crente chamado a ser reflexo da vida de Cristo.

O Natal de Cristo é, por conseguinte, momento propício para reavivarmos a consciência de que o Evangelho, ou seja, o próprio Cristo continua a nascer hoje no mundo através de cada um de nós. Somos chamados a dar à luz, em cada tempo, a Luz que é Jesus Cristo. Por isso, não poderemos celebrar autenticamente o Natal se o separarmos da dinâmica evangelizadora que brota desse acontecimento único da Encarnação do Verbo que, a cada ano, não apenas evocamos, mas, acima de tudo, atualizamos.
O Natal surge, então, como convite a assumirmos o imperativo de evangelizar: com palavras, mas acima de tudo com a própria vida, o mesmo é dizer com as mãos e os pés, à imagem do próprio Cristo, como nos recorda o Bispo Diocesano na sua Carta Pastoral. Recorda-nos e dá-nos o exemplo, mormente nesta época natalícia, durante a qual procura estar junto daqueles que tantas vezes estão nas periferias unicamente porque nós os retiramos do centro. Assim, D. Anacleto estará junto da comunidade cigana (na tarde de amanhã), procurará estar junto dos reclusos (com quem celebrará Eucaristia na tarde de 24) e junto dos “sós”, com quem ceará na noite de Natal, na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, na cidade de Viana, à imagem do que tem acontecido desde que é Bispo da Diocese.

Estando junto dos mais frágeis, o Bispo Diocesano mostra que é a esses que Jesus pede, em primeiro lugar, que o Evangelho seja anunciado. A todos nós, seus diocesanos, recorda-nos algo essencial: o anúncio do Evangelho pede-nos, em primeiro lugar, que sejamos capazes de O levar, não apenas nem principalmente àqueles que nos dá mais jeito, mas sobretudo aos que mais precisam dessa «boa notícia».

Felizes de nós que receberemos essa «boa notícia» da encarnação na celebração do Natal! Felizes de nós se a acolhermos com uma alegria sempre nova e a levarmos aos demais. Só se assim for, a nossa alegria poderá ser completa (Cf. Jo 15,11).
Santo e Feliz Natal!

Diocese de Viana do Castelo