Fidalguinho termina, no seu último XI escrito (pg. 18) nesta edição, uma longa “estória” que mostra bem o comportamento social de uma pequena parte da juventude (estudantil) vianense –, particularmente ocorrido durante as duas décadas (1954-74) ou seja, no final da Ditadura até à Revolução d’Abril.

Todos os episódios trazidos à estampa — embora mais à escrita, que à fotografia — retratados a preto e branco (mesmo assim objecto de luxo) — foram catados com toda a parcimónia, em álbuns de família!…. Enquadravam-se bem no “cinzentão” daquela época.

Embora os jovens desse tempo tivessem longos períodos de férias, especialmente nas chamadas “férias grandes”, de 10 Junho a 07 Outubro!… Porém, não havia dinheiro para viajar …, e estavam muito longe dos actualmente célebres programas “orgasmos”…! A maioria ficava por cá…

Fazia-se algum campismo “à volta da casa” ou em quintas de familiares ou amigos, com tendas da MP. Os não estudantes — a maioria –, trabalhavam e as magras férias que tivessem era para ajudar a família ou a eles próprios.

Com o início das Guerras do Ultramar, surge a grande preocupação para a juventude desses tempos.

Cumprir o Serviço Militar ou não-fazer a guerra, por imperativos de “objecção de consciência”.

Foi um longo período (1961-74), que se reflecte parcialmente nos artigos de Fidalguinho. Que veio enriquecer a consciência política dos jovens que, com o cumprimento da vida militar ou não, ganharam a vivência dessa longa noite escura, onde finalmente se acabou por fazer luz em 25 de Abr74. Um privilégio de que poucos se podem orgulhar, que culminou ao fim de 13 anos “em perigos e guerras esforçados…”, em que acabamos pelo reconhecimento e a libertação desses Povos, onde nos incluímos neste “cantinho à beira mar plantado”.