Em eleições há sempre vencedores e vencidos, e os vencidos de hoje até poderão ser os derrotados de amanhã. Ninguém gosta de ser perdedor em “contendas” e muito menos em eleições políticas, porque quem perde vê a sua mensagem desvalorizada. Mas o tempo não acaba com derrotas pontuais. Há que não as desdenhar e saber assumir erros para não os repetir, mas enquanto vivos, em defesa de causas, não se deve acarinhar o desânimo.

Penso que o maior vencedor nestas eleições foi a democracia, porque 90% dos portugueses votaram no estado democrático vigente. Pouco se falou da intervenção de Marcelo de Rebelo de Sousa na noite eleitoral, mas entendo que se tratou de um discurso convictamente sentido na defesa do direito e do muito que ainda há para fazer na melhoria das condições de vida dos portugueses. De salientar, a dado passo, a referência que fez em relação à revolução de abril, prestes a chegar ao meio século, salientando que estes 50 anos devem ser comemorados com satisfação e orgulho, já que foi este ato que nos devolveu a liberdade e nos abriu caminho para o progresso (cito de memória).

Não votei no candidato vencedor. Votei no que se revelou tecnicamente mais bem preparado, de discurso simples e educado, tal como reconheceu o insuspeito Marques Mendes, no seu comentário dominical da SIC. Votei em João Ferreira, mas convivo bem com o Presidente que temos, que afirmou categoricamente a André Ventura que era e queria continuar a ser o Presidente de todos os portugueses, velando na integra pelos seus direitos; que contrariava a prisão perpétua e a pena de morte, que acreditava no Ser Humano e na sua recuperação, tal como acontece em todos os países civilizados, citando até o humanismo do papa em defesa das suas causas. Ora um presidente com este discurso e com esta prática plural de chegar a todos, que é eleito por 60,70% dos eleitores, mostra um resultado eleitoral que rejeita o extremismo.

Há quem tema o resultado da dita extrema direita, que, explicitamente, nem sei bem o que é, mas é bom constatar factos. Vi todos os debates e, decorrido quase meio século em liberdade, chocou-me ver o candidato dessa fação insultar tudo e todos, não deixar falar ninguém, apontado o dedo, ameaçando uma parte da sociedade, nada apostado em discutir como resolveria os problemas dos portugueses se fosse poder. Sem uma ideia, sem um projeto, contrariamente, por exemplo, ao candidato da Iniciativa liberal que revelou conceitos, ao manifestar uma maior aposta no sector privado e menos estado, como a querer provar que não foi apanhar o seu projeto às redes sociais, onde só se fala de desgraças e perpassa a ideia de que estamos num país de bandidos. Infelizmente, as redes sociais estão a afastar as pessoas, em vez de as unir.

Mas não há que iludir realidades sobre hipotéticas novas arrumações de forças no xadrez político de Portugal. E aí que se cuidem os verdadeiros sociais democratas do PSD. Depois de ouvir André Ventura a desafiar Rui Rio de que sem eles o PSD jamais seria Governo, bem que este Rio, desnorteado, corre veloz rumo mar, para afundar a social democracia, apodada de trave mestra do programa do PSD.
GFM