Gostaria de possuir a eloquência para, com vigor, traduzir em palavras o que penso e o que sinto acerca desta matéria que vem ganhando fôlego nos nossos dias, agora sob uma capa alegadamente humanista e educacional, materializada na disciplina obrigatória da chamada cidadania e desenvolvimento nas escolas. Esforçar-me-ei, no entanto, por abordar o tema de forma realista, sem que seja minha intenção ofender seja quem for, mas tão-somente expressar o meu ponto de vista sobre estas novas crenças grupais que tendem a ocupar o espaço público.

É sabido que a agenda política da extrema-esquerda visa, desde há muito, desestruturar a sociedade, tendo vindo a impor, nos últimos cinco anos, temáticas corrosivas que dividem os portugueses, ofendendo costumes, desrespeito pela vida humana e relevando situações de vida que não são modelo para ninguém, muito menos para as crianças e jovens cuja personalidade está em formação e desenvolvimento, correndo sérios riscos de virem a ficar atrofiados. E o que se trona revoltante é que um governo e um partido, como é o PS, que já possuiu alguns políticos de alta qualidade, que souberam governar o país unindo os cidadãos em torno de causas nobres, e por isso respeitados estadistas, venha agora esse mesmo partido e seu governo ceder aos caprichos de uma extrema-esquerda vírica, para se manter no poder.

Em boa verdade, aquilo a que estamos a assistir é a uma luta entre a regra geral e a excepção. A regra geral é que o género humano é constituído pelos sexos masculino e feminino, e foi nesta simbiose que a humanidade cresceu e se desenvolveu e que continua a multiplicar-se; a excepção é tudo aquilo que se desvia deste axioma. Que uns, ou umas, façam o que quiserem do seu corpo, é lá com eles e com elas; contudo, o facto de se agredir a consciência das crianças e jovens, direccionando a atenção para realidades desviantes com as quais nunca sonharam, trata-se de um acto ignóbil que repudio em absoluto. Defendo, assim, todos os pais e encarregados de educação que se opõem à frequência daquela disciplina nas escolas, no modelo vigente, devendo invocar a objecção de consciência e até processar o ministério da educação, se for caso disso, como aconteceu com os dois jovens irmãos de VNFamalicão, que foram “chumbados” por não terem assistido às aulas daquela disciplina. É que, sob a capa de uma falsa necessidade esclarecedora para a cidadania, deforma-se a personalidade e induzem-se as crianças e jovens a conhecer causas que não são a regra geral das sociedades e para o entendimento das quais não dispõem, ainda, da necessária maturidade.

Quando era jovem, aprendi nas aulas de latim e alemão que as palavras poderiam pertencer a um de três géneros:- masculino, feminino e neutro, sendo que neutro é para as palavras que não cabem em nenhum dos anteriores. Tanto quanto me é dado saber, esta realidade não se alterou e, para os humanos (que não são palavras), continuam o masculino e feminino como géneros naturais e indesmentíveis da obra criadora de Deus. Impor aos cidadãos aquilo a que chamam terceiro género (mas que género?) não passa de uma afronta civilizacional, porque não se trata de um género, mas de uma opção, de um estado de vida. Tenhamos em conta que a ideologia do género é o mesmo que ideologia da homossexualidade, cujo lobby desenvolve um gigantesco esforço nos meios de comunicação social, nomeadamente nas TV’S, para a conquista do espaço público, não só no nosso país, mas também, e sobretudo, no “evoluído” mundo ocidental.

Sou daqueles que pensam que à homossexualidade faltam argumentos científicos, sendo que esta ideologia foi criada para dominar na crença da sua própria realidade, o que vai de encontro à lógica marxista segundo a qual a realidade não criou o pensamento, mas o pensamento criou a realidade.

Aquilo a que os lbtg chamam de orgulho gay não passa de um estratagema que visa conquistar o espaço sócio-político, promovendo desfiles por vários países, que, observados com distanciamento e à lupa, mais parecem cortejos carnavalescos de baixo nível, tal a presença e densidade de diferentes e estranhas figuras. Exibem-se perante quem tem a curiosidade de os ver, não numa manifestação de cultura, mas em cortejos provocatórios que evidenciam um mimetismo grotesco nesta sociedade decadente que teima em perder valores.

O desvio, nas escolas, da atenção das crianças e jovens para estas temáticas de excepção à regra  –  e, pasme-se, com a assessoria, até, dos lbgt, como se estes fossem altas figuras de autoridade na matéria, experientes educadores  e cientistas  –   é uma vergonha nacional, porque poderá haver sempre alguém que ficará com a personalidade distorcida.

Face a esta onda de insanidade política, entristece-me que os portugueses, salvo muitas e boas excepções, aceitem pasmaceiramente tais mudanças na educação cívica e cultural das crianças e jovens, e não parem para pensar se é esta a educação mais adequada para os filhos e netos.

Será que os modernismos importados pelos extremistas de esquerda já se infiltraram de tal ordem em muitas famílias, que as anestesiaram e estas ficaram sem capacidade de reacção? Será que querem uma sociedade onde impere a regra geral ou estão tão alucinados que já nem se apercebem da realidade que os cerca?

Como antes referi, cada um que faça o que quiser com o seu corpo, mas não aceito de forma alguma é que o próprio Estado venha modelar a personalidade dos nossos jovens e crianças com a adesão a causas que nunca serão a supremacia, mas sim a excepção, já que as leis da natureza foram criadas por Deus e são imutáveis, por mais que se queira contrariar.

A. Lobo de Carvalho