É do conhecimento geral que a pandemia provocou, entre tantas outras perdas e danos, o cancelamento de todos os espetáculos ao vivo.

Em Viana do Castelo, o Teatro Municipal Sá de Miranda encerrou preventivamente a 13 de março e, apenas no passado dia 18 de julho, exatamente 4 meses e 5 dias depois, voltou a apresentar um espetáculo aberto a quem quisesse levantar um ingresso na bilheteira, com lotação reduzida a 140 lugares e uso obrigatório de máscara.

Por seu turno, o Centro Cultural de Viana do Castelo ainda alberga um dispositivo de internamento de retaguarda que não foi desmontado, não se sabendo quando voltará a acolher qualquer evento desportivo ou artístico.

No restante território nacional, e tirando os polémicos exemplos de um espetáculo de comédia e de uma tourada (ambos curiosamente realizados em praças de touros), os espetáculos ao vivo que se realizarão em Portugal este Verão podem ser contados a dedo. Tirando o já em si mesmo excecional Festival de Teatro de Almada que, graças ao município e à companhia de teatro local, se está a realizar em versão adaptada, num exemplo sem réplica na Europa (sim, na Europa!), são poucos e de pequena escala os eventos que estão  a acontecer no nosso país.

Já em França, Inglaterra, Alemanha e Itália, simplesmente, não há espetáculos ao vivo, pelo menos, até setembro. Num exemplo mais próximo, em Espanha, o célebre Festival Grec, de Barcelona, acaba de ser suspenso, em consequência do aumento do número de casos e do retrocesso nas medidas de desconfinamento entretanto decretadas pela Generalitat, o que já levou o governo francês a declarar a possibilidade de fechar as fronteiras com a Catalunha.

Não obstante, não falta por aí, e por aqui, quem esteja disposto a dar uma festa. Ou um concerto. Apesar da proibição de festividades até setembro ser para todos, há quem, mesmo assim, não se importe com mais nada nem ninguém, do que apenas consigo e com o seu. Oxalá que as camas do Centro Cultural nunca venham a ser necessárias.