O processo evolutivo da vida é em si, algo absolutamente fascinante.

O planeta terra, que data 4,5 mil milhões de anos, não se cansa de nos surpreender. E é exatamente sobre a palavra evolução, que irei dedicar esta reflexão.

É inegável, que por entre variadas “guerras” que existam entre nós, que existe uma espécie de “guerra aberta” sobre os sentimentos e as suas funcionalidades. De um lado, temos os defensores da sua presença, mas por outro, temos os que os abominam e é ate, os ignorem.

Como sempre, eu creio que tudo tem um meio termo, assim como tudo tem o propósito neste universo. As leis que o operam não conhecem a palavra “acaso”, bem como acredito que o surgimento dos sentimentos não tenha sido uma casualidade fortuita. A inteligência superior que nos rege não cria nada por acaso.

Desde os primeiros seres que brotaram neste planeta – seres unicelulares como as bactérias e os vírus, até ao surgimento dos seres multicelulares mais complexos, muita coisa mudou.

Para estes seres mais antigos, nunca houve uma existência de consciência ou de sentimentos, uma vez que o aparecimento do sistema nervoso que foi o catalisador do nosso lado mais sensível, aconteceu apenas mais tarde na história. Tarde, mas a bom tempo.

O emergir de um sistema nervoso nas criaturas mais complexas trouxe consigo o verdadeiro salto evolutivo, permitindo o desenvolvimento de diversas competências como a linguagem, a coordenação funcional, a inteligência, a mente, e por fim, os sentimentos.

Para nosso agrado, todas estas novidades neurais e fisiológicas vieram para garantir a nossa sobrevivência e, consequentemente, a nossa evolução. De todos os organismos vivos que habitam neste planeta, é certo que o Homem acabou por ganhar um lugar de destaque, mas não por sermos seres superiores ou mais merecedores, mas porque o salto evolucional assim o determinou, tendo-nos conferido uma mente, uma consciência e a presença de sentimentos para o validar.

Porém, seria impossível falar-vos de sentimentos sem falarmos de consciência, uma vez que foi precisamente o desenvolvimento de um estado consciente que nos tornou a espécie dominante. 

Mas para quê prestar atenção aos sentimentos e porque não os evitar assim como todos nos ensinam desde tenra idade? É simples. Porque os sentimentos funcionam para nós como um sistema navegacional para o nosso bom-entendimento. Eles informam-nos sobre o nosso estado interior, pois presenteiam-nos com dados precisos sobre aquilo que se passa não só, a um nível afetivo, como a um nível fisiológico. E para nossa sorte, e não menos importante, é que num estado de alerta consciente, eles podem servir como guias para as nossas tomadas de decisões sobre qualquer assunto que mereça a nossa delicada atenção.

Todavia, convém esclarecer o leitor que nem toda a mente é uma mente consciente, isto é, onde há um cérebro, há uma mente, mas onde há uma mente, nem sempre há consciência. E eis o nosso maior quebra-cabeças.

A consciência não é mais do que uma experiência mental subjetiva, que pode ser boa ou má, de acordo com a interpretação pessoal do indivíduo. Seja como for, e curiosamente, os sentimentos são o pilar da consciência, daí que se quisermos tirar o real proveito das nossas capacidades com o intuito de melhor viver, não há razão nenhuma para evitarmos ver ou percecionar os nossos próprios sentimentos.

Tudo isto para vos dizer que, pela associação harmoniosa entre mente, sistema nervoso e consciência, dispomos de uma clara vantagem no capítulo da sobrevivência, por possuirmos uma criatividade ilimitada que nos permite resolver uma panóplia de problemas e conflitos existenciais. Não é isto maravilhoso?

Daí que após todo este pensar, desafio o autor a despertar a sua consciência – a de si mesmo, a dos outros e a do mundo. 

No teatro da vida, saber e conhecer não são os únicos capítulos presentes no guião. Ser, torna-se muito mais essencial se quisermos o desfecho de uma história feliz, e isso meus amigos, só é possível ao estarmos verdadeiramente acordados.