O Jardim de D. Fernando, como o conheci, nos anos 50, continua a ser o jardim que contemplou a minha mocidade, que ouviu as minhas alegrias e tristezas, que guardou os meus segredos e que, até ao fim do curso, escutou as minhas preces e sentiu o pulsar do meu coração. É por isso que ainda agora, passados tantos anos, já a caminho da velhice, eu sinto muitas saudades do meu tempo de estudante da Escola Técnica. Sim, da Escola Técnica, pois, porque lhe alteraram o nome, para mim, será, até à hora da minha morte, sempre a MINHA ESCOLA.

Aquela Escola que me fez homem, aqueles professores que me emprestaram todo o seu saber, a sua cultura, que me prepararam para o mundo do trabalho.

Comparado com o ensino actual, é possível que eles fossem um bocado exigentes, ditadores até, mas o que não há dúvida nenhuma, é que a malta no fim do curso tinha que saber para obter o diploma. Parafraseando a canção coimbrã, poderia dizer também que “Viana é uma mulher, só passa quem souber”. É verdade, na Escola Técnica de Viana do Castelo, só passava quem soubesse.

Quando vou a Viana, tenho que ir visitar o Jardim de D. Fernando, sentar-me naqueles bancos de madeira, respirar aquele cheiro tão doce das suas árvores, ouvir o chilrear dos passarinhos, sentir aquela brisa tão peculiar na minha face, olhar com respeito e saudade, para o grandioso, majestoso edifício a que hoje chamam Instituto Politécnico, outrora Escola Comercial e Industrial de Viana do Castelo. Os revolucionários de “meia tigela”, tiraram-lhe o corpo mas a alma, a alma da Escola Técnica, será sempre dos seus antigos estudantes.

O jardim de D. Fernando é o jardim da minha saudade, jardim da minha meninice, da minha juventude, como poderia eu esquecer-me dos tempos que passámos juntos. E ao falar deste meu jardim, não posso deixar de me lembrar daquela vetusta Taça, onde, quando entrei para a Escola, fui praxado. Mas foi uma praxe simples, amiga, sem violência, feita pelos finalistas que assim recebiam, com amizade os seus colegas caloiros. Com os seus peixes cintilantes, as suas rochas e musgos, as suas plantas, aquela velha taça conserva ainda hoje toda a sua beleza, a sua juventude, a sua pureza.

E a velha FERRADURA, que também faz parte do jardim, que dizer dela? Quantas lágrimas viu correr pela face dos estudantes, depois duma prova ou dum exame mal sucedido? Quantas alegrias sentiu, quando, sentados no seu seio, os estudantes celebravam os seus êxitos escolares?

Ainda bem que permanece no lugar onde sempre esteve. Felizmente que ainda nenhum iluminado, acometido duma doença revolucionária, agora que temos um governo de esquerda, democrático…, se lembrou de a retirar, ou levar para a sua quinta, alegando que é “um produto dum estado ditatorial e anti-democrático”. Ainda não é tarde… já vi fazer pior.

Jardim de D. Fernando. Jardim da minha vida de estudante, jardim da minha saudade, viverás, sempre, mas sempre no meu coração.

Jardin de D. Fernando, jardin de ma vie dans l´Ecole Tecnique, tu viveras toujours dans mon coeur.
Garden of D. Fernando, garden of my school life, you will live in my heart forever.