Nós temos o país que merecemos. Temos políticos corruptos, justiça corrupta, um Serviço Nacional de Saúde de terceiro mundo, uma Educação péssima. Só estou aqui a dar três ou quatro exemplos do que está mal no nosso país. Se eu fosse aqui falar de tudo o que está mal, com certeza que as folhas todas deste jornal não iam chegar.

Mas se a gente tem o país no estado em que está, a culpa é toda nossa, porque somos um povo cobarde. Só temos “goela” para falar pelas costas, não temos coragem de agir e de lutar pelas coisas. Toda a gente se cala e ninguém faz nada para mudar as situações.
O povo só se sabe queixar, e não mais de que isso.

Vejamos o caso do Novo Banco. Em pouco mais de quatro anos, o Governo já injetou quase 10 mil milhões, e não vai parar por aqui. E o povo continua em paz, sereno. Acha que é uma coisa perfeitamente normal, ninguém reclama, ninguém pergunta para onde foi esse dinheiro. Só esses milhões davam para acabar com a miséria no nosso país, e para as pessoas terem reformas e pensões dignas, sem terem que passar por necessidades.

Como quando as pessoas necessitam de ir às finanças, ou a qualquer outra instituição, estão horas e horas nas filas, à espera de serem atendidas, e não reagem, enquanto os empregados estão na conversa e a rir-se, e se lixando para quem está à espera de ser atendido.

De quem é a culpa? Sim, o empregado tem culpa. Mas a culpa maior é daqueles que estão à espera nas filas, e que tinham a obrigação de se manifestar, e chamar a atenção de quem tem um dever a cumprir.

Nos só temos aquilo que merecemos, e nada mais. Todos se queixam, e acham que nos outros países é que se vive bem, com um nível de vida 10 ou 15 vezes superior ao nosso, com todas as regalias que não temos. Esquecem que, se eles hoje têm tudo do bom e do melhor, é porque eles, há 40 ou 50 anos, tiveram a coragem de lutar pelos seus direitos, tiveram a coragem de obrigar os governos deles a criar leis para os proteger, leis em que nada faltasse ao povo e que lhe deu qualidade de vida.

São países que têm políticos sérios e honestos, e que quando cometem um erro, são os primeiros a admiti-lo. Esses políticos não ficam à espera que os demitam, porque eles assumem os erros deles, e demitem-se na hora.

Se esses países têm hoje um alto nível de vida, muito superior aos outros, é porque tiveram um povo que não teve medo de lutar pelos seus direitos. Nesses países as pessoas não reclamam de pagar tantos impostos, porque eles sabem que estão a pagar uma coisa que é fundamental para seu bem-estar. São povos que, assim que sentem que qualquer coisa está a sair fora dos eixos, não têm medo de vir para rua lutar pelos seus direitos, e não descansam até conseguirem o que querem. São povos que, se tiverem de lutar, lutam mesmo, e não se deixam intimidar por ninguém, ao contrário do nosso povo, que é um povo cobarde, que não faz nada para mudar as coisas.

Assim, nós nunca passaremos de um país de terceiro mundo, onde a desigualdade vai aumentar cada mais, onde irá existir um fosso cada vez maior entre as classes sociais, onde a lei do mais forte é que conta, e onde os mais fracos continuarão a viver na miséria.

É tempo de deixarmos de ser cobardes! É tempo de fazermos alguma coisa pelo nosso país! De construir uma sociedade moderna, uma sociedade onde toda a gente possa viver feliz, e em paz, uma sociedade onde não haja desigualdade entre as pessoas. Mas esse dia só vai acontecer, quando o povo tiver a coragem de lutar por uma sociedade de igualdade para todos.

Edgar Silva