Estes são os “mimos” com que as redes sociais cobrem o Papa Francisco, neste caso em língua portuguesa, com sotaque brasileiro. Repare-se: a frase, que é utilizada como título, não é nem afirmativa nem negativa mas interrogativa. E é assim que vem nas redes sociais, ou seja, para quem não abre o texto completo da notícia esse título tanto pode servir como afirmativo ou negativo, conforme a pré-concepção do leitor. Só mesmo o leitor intelectualmente honesto se dá ao trabalho de, com isenção, ser esclarecido cabalmente. Assim como está (com interrogações) trata-se de um modo subtil de deixar o leitor confuso e de ficar a suspeita.
Se algum leitor desta crónica quiser saber quais as opiniões formuladas nas redes sociais sobre o Papa Francisco, vai concluir que a grande maioria é odiosamente contra este Papa. Vou citar algumas, em português, e praticamente todas vindas do Brasil. Os “mimos” são deste quilate: o papa do fim do mundo, o falso profeta, o apóstata, o herege, o antipapa, o usurpador, o comunista, o maçon, etc, etc. Mas há outras afirmações do tipo: o sínodo comunista de Bergoglio (sobre o sínodo da Amazónia); a besta vestida de cordeiro (a besta ou demónio ou capêta, termo muito usado no Brasil); este papa veio destruir a Igreja; Jorge Bergoglio não é católico; Francisco nega a divindade de Cristo; ele é adepto da teologia da libertação e por aí fora. Há mesmo blogs (sítios da net para conversa ou debate ou palestra) dedicados exclusivamente a atacar o Papa Francisco. E quem os compõe? Embora muitos comentários sejam anónimos ou com falso nome, há sítios da net com autoria indisfarçável, mas, em muitos casos, aparecem os vídeos, sem referência aos nomes dos autores. (Na net, são denominados “Youtubers” e “Bloggers” os autores ou intervenientes nestes meios de comunicação). Os nomes desses blogs contra o Papa Francisco vão desde “Nossa Senhora de Fátima” até outras denominações sugestivas. A linguagem desse pessoal ultrapassa o mero debate de ideias (neste caso, relacionadas com teologia ou doutrina) e chegam ao insulto e ao desrespeito pelo actual Papa Francisco. E até os adeptos das posições do Papa Francisco chegam a ser apelidados de “tontos, cegos e bôbos” (obrigado pela parte que me toca)
Ao mais alto nível da hierarquia católica, é sabido que o Cardeal Raymond Burke, americano, e os Cardeais alemães Gerhard Ludwig Müller e Walter Brandmüller são abertamente contra as posições e decisões do Papa Francisco. Entre muitos outros purpurados, ressalta o nome do Arcebispo Carlo Maria Viganó (italiano) que fez, numa carta pública, acusações bombásticas contra o Papa e pediu mesmo a sua renúncia.
Se não me falha a memória nunca vi nestas últimas 7 décadas, desde o tempo do Papa Pio XII até ao presente, uma violência tão pessoal a nível de papado (nem o caso contemporâneo do Arcebispo Marcel Lefèbvre). No antigamente, sim. Era uma coisa horrível. Agora, com o declínio acentuado do número de fiéis, com o crescente esvaziamento da casta sacerdotal, com os escândalos arrepiantes da pedofilia, com a confirmação de erros de mera administração canónica como a negação do direito natural ao casamento e à procriação por parte do clero, não se justifica esta absurda guerra clerical. É usada uma linguagem rasteira e tem proveniência no ultraconservadorismo, talvez mais político e financeiro que religioso. De resto, em Portugal e a qualquer nível, o silêncio é sepulcral, apenas sendo de assinalar a pública posição dos Bispos Portugueses apoiando as decisões do Papa Francisco relativas às novas normas para fazer face à pedofilia clerical. Posição que, de resto, sabe a pouco. Mas os organismos e movimentos dos chamados leigos não tomam qualquer posição favorável ao Papa Francisco porque não são mais que rebanhos, apenas distraídos com festinhas rituais ou de grupo, sem alma e sem garra. O clero, envelhecido, doente e, muitas vezes, doloridamente desiludido, arrasta-se até à morte, sem que lhe concedam a reforma depois dos 75 anos (setenta e cinco), quando não são os próprios a implorar a continuação do exercício por justificado medo à solidão.
E, afinal, que propõe o Papa Francisco? Uma “revolução” justificadíssima, inegavelmente evangélica e fomentadora da Paz e da Justiça. Veremos noutra ocasião.

N.D. A mesma arrelia técnica afectou a devida publicação deste texto, pelo que igualmente pedimos desculpas ao nosso estimado colaborar e amigo

Foto: Agência Ecclesia