O ambiente está na ordem do dia. E bem. O planeta está a atingir a exaustão e as previsões para o futuro próximo são de catástrofe. E não há que iludir, já que a calamidade está à vista de todos e praticamente a todos chega. Não há imunidade para ninguém. Para muitos, o bem-estar ambiental de hoje pode transformar-se amanhã em drama. E se por razões económicas há países mais bem preparados para os cataclismos que vão surgindo, outros há que pouco mais podem fazer do que apelar à solidariedade dos ricos, recurso muito sofrível.

O problema é demasiado complexo e tudo indica que o mundo se atrasou demasiado na procura de soluções, apesar de quase sempre se ter falado de ambiente. O tratamento de resíduos nas grandes metrópoles, por exemplo, era já abordado com forte preocupação em meados do século XX. Mesmo em Portugal, com o seu peculiar e generalizado atraso, o ambiente passou a fazer parte das agendas governamentais imediatamente a seguir à revolução de 1974. Quando aconteceu o 25 de Abril, Portugal, em boa medida, era um país inquinado, com lixeiras a céu aberto espalhadas por todo o espaço nacional.

Hoje, apesar de estarmos a dar passos mais curtos que as necessidades, dado a má prática de décadas anteriores, o país está dotado de mais de meia centena de aterros sanitários, com a maior parte deles apetrechados para tratar satisfatoriamente os resíduos de origem urbana. Mas não foi só nesta frente que progredimos. A opção por energias alternativas ao fóssil tem tido avanços bem reconhecidos, até internacionalmente.

Contudo, entre nós, porque temos que arrumar primeiro a nossa casa para ter força moral para exigir ao mundo que se regenere, ainda temos muito para fazer. Continuamos a tratar muito mal a natureza e a passar a mensagem de “quem vem atrás que feche a porta”, só que atrás de nós vêm pessoas com direito à vida como nós sempre exigimos. Mas se esta é uma realidade evidente, a outra verdade é que profetas de ocasião a falar de ambiente não me convencem. Discursos inflamados para ganhar protagonismo e lugares no Parlamento cheira a falácia.

O assunto pode ser pasto para proveitos eleitorais, mas só conseguiremos um planeta melhor com uma forte consciência ambiental, aqui e no mundo inteiro. E tudo isto depende de muito trabalho no terreno e de valorização intelectual e moral das pessoas. Portanto, de forma abrangente, mais trabalho e mais formação.
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