Neste jornal sempre se contrariou a junção dos portos do Douro, Leixões e Viana, com uma administração única a funcionar em Leixões. E sempre o fizemos por sentirmos que o porto de Viana nunca passou do amorfismo a que o submeteram os poderes instalados, quer os governamentais, quer outros, e ficaria agora em piores condições para sacudir o marasmo e delinear objetivos muito concretos para desenvolver mais e melhor o Alto Minho.

Isto apesar de sentirmos que os vianenses também nunca estiveram suficientemente interessados, particularmente as forças vivas da cidade, que são as que têm superior obrigação, em discutir e defender esta histórica e importante estrutura de que dispomos.

Mas não vale a pena chorar sobre leite derramado, por mais que a história deste jornal nos faça recordar os inúmeros combates travados desde 1855 para que Viana, concretamente no que toca ao seu porto de mar, seja merecedora do respeito mínimo de quem governa a nação. A realidade é a que temos e, no quadro atual, é obrigatório saber que projetos há de novo e como vão ser aproveitados os investimentos em realização. Daí a nossa conversa com o presidente da APDL, que damos a conhecer nas páginas. Já sabemos que nenhum gestor, seja ele do setor público ou privado, diz mal do seu desempenho e que não lhe faltam argumentos para contrariar críticas, a par da apresentação de projetos em abundância para o futuro, próximo ou longo; e todos se justificam com razões e valores que dificilmente se podem contestar, por mais bem preparado que o entrevistador se apresente.

Mas também é possível saber distinguir a eloquência da realidade das situações. E mais depressa quando estamos perante enquadramentos pouco enganadores. Da entrevista com o presidente da APDL o que ressalta é que lhe devemos dar o benefício da dúvida, porque soube não fugir às questões que lhe foram colocadas e argumentar com satisfatória verosimilhança. Por outro lado, de forma algo dissimulada, não deixou de apontar o dedo aos vianenses, porque também estes têm que saber apostar no seu porto de mar, tanto mais agora que está a ser dotado de melhores condições nos seus acessos rodoviários e marítimos. De facto, não vale a pena investir milhões de euros em algo que se teima em não lhe querer dar vida. Por isso voltamos à teoria que aqui já desenvolvemos: o porto de mar e as atividades económicas têm que caminhar de mãos dadas, com dependência um do outro para promover e enriquecer a região. O progresso não se consegue de forma isolada. Associar sinergias é indispensável, e obrigatório.