O professor de português, entendo eu, deve ser filólogo e filósofo. Nele próprio está implícito o espírito crítico, o querer ensinar tudo ao aluno, modelando-lhe o espírito para ensinar o melhor que temos – a nossa língua.

Não são só as pretensões salariais ou subidas de escalão, ou outras regalias justas, que fazem bons professores e, consequentemente bons alunos, mas há necessidade de criar professores dedicados, estudiosos, que pesquisem os segredos da nossa língua, que formem o homem de amanhã.

As novas técnicas, os novos sistemas, uns mais razoáveis que outros, devem atualizar o “professor” para caminhar com segurança e transmitir com profundidade o português falado e escrito…

Ensinar é quase uma ciência exata. Cada vez mais o professor desta disciplina é um cientista. Modela inteligências. É humanista. Cultiva. Forma. Transmite. Tem a noção de como fazer reagir os alunos, e teoriza, sempre que possível neste ou naquele sentido, em conformidade com a reação do educando que só ele conhece.

Com a europeização temos que fazer valer a nossa identidade cultural, para não vermos degenerar cada vez mais o poderio inglês, francês ou alemão e não ficarmos terrivelmente marginalizados.

O português é um idioma dos mais velhos da Europa e falado por cerca de 300 milhões de pessoas em todos os continentes.

O homem português, brasileiro, africano ou asiático, na sua formação pessoal, na associação de ideias tem sempre numa caixinha o seu “primeiro professor” de português.
Mas é nas “bases” que se aprende a escrever, a falar…

Dizia o filólogo e escritor Aquilino Ribeiro, que “o gosto de saber tudo do nosso idioma veio-lhe do seu velho professor de português”.

Qualquer agente de cultura: escritor, jornalista, historiador, artista, certamente que recorda com saudade pela vida fora o seu bom professor de português. Pelo menos é o que acontece comigo.