O momento em que alinhavo este texto é, sem dúvida possível, um momento para recordar, seja qual for o final da história.

Quarto orçamento de uma legislatura que, ao contrário da anterior (especialista em orçamentos retificativos de todos os quatro propostos na sua vigência…), foi já aprovado na generalidade e vai ser agora submetido, no Parlamento, à discussão na especialidade.

Para começar, o tempo disponível para a discussão é manifestamente insuficiente, dado o número de propostas de alteração apresentadas que, de acordo com a chamada “comunicação social”, ultrapassa um milhar e são oriundas de todos os sectores políticos representados no parlamento, chegando-se ao apuro de as haver apoiadas simultaneamente por partidos de opções totalmente opostas.

Mais: no que respeita ao IVA das touradas, nem o próprio grupo parlamentar do PS consegue a unanimidade!
É óbvio que o ambiente, mau grado, estarmos já em pleno inverno, vai aquecer, e momentos haverá em que será escaldante, ainda mais se levarmos em conta o deficiente domínio, quer mental, quer verbal, de alguns dos “ilustres” deputados…

Curioso o facto de, sendo a acusação hoje em dia mais frequentemente apontada ao governo, ser este orçamento uma espécie de “pré-campanha eleitoral”, o “aroma eleitoralista” é manifesto na maioria, se não na totalidade, das propostas de alteração apresentadas…

Tendo apenas em conta a quantidade de propostas em causa, sem sequer introduzir no cálculo a sua maior ou menor complexidade e mesmo trabalhando 24 horas por dia, não se me afigura possível concluir tal tarefa num prazo compatível com as datas eleitorais programadas…
A minha curiosidade é igualmente despertada pelo tratamento que a “comunicação social” vai utilizar na informação…

Foto: “Panorama”