Para muitos, é o direito inequívoco de dizer o que lhes vai na alma, sem limites.

Mas ela obedece a direitos e obrigações:

Direito de exprimir ou escrever, sem receio de sanção; o dever de respeitar o antagonista.

O grande Voltaire dizia, com acerto: “Discordo do que diz, mas defenderei até à morte o seu direito de dize-lo.”

Mas a maioria dos “democratas” comportam-se, como disse o celebre Millôr Fernandes: “Democracia é quando eu mando em você. Ditadura, é quando você manda em mim”.

Será que houve ou haverá democracia plena? Não creio. Basta escutar sessões parlamentares – de qualquer nação – para verificar que grande parte dos deputados, comportam-se e usam termos indignos.

Porque pode haver competência, até inteligência, mas não havendo educação nem respeito pela opinião alheia, não há democracia.

Não admira que o antigo Primeiro-ministro, Francisco Pinto Balsemão, tenha dito ao “Independente” (03/10797): “A política está a perder audiência”. (…) “A média de qualidade da classe política baixou.”

Baixou porque a “Democracia nos partidos é uma ficção”. Costumo até dizer aos meus alunos: “Estudem o que se passa nos partidos para perceberem o que foi o feudalismo. (Manuel Monteiro, “A Capital”, 28/07/03)

Poucos são os que entram na política por amor à Pátria e espírito de justiça, já que: “É difícil encontrar áreas onde os jovens estejam melhor instalados do que na política: aos 20 anos têm emprego, aos 30 estão reformados.”. Declarou o Prof. Doutor Manuel Maria Carrilho ao “Diário de Notícias”, (25/04/01).

Dizia o maior político da América, quiçá do mundo, o republicano Abrahan Lincoln: que a democracia era: “Governo do povo, pelo povo e para o povo”.

Mas, o povo não sabe governar – dirá o leitor atento – é preciso que a nação seja dirigida por reduzida elite. O povo não pode governar-se, a si próprio.

E, para haver plena democracia, é necessário que a população seja instruída, como disse Afrânio Peixoto, e sobretudo – digo eu – possua sentido de bem público.

Não acredito que tenha ou venha a ter, porque: “não são deuses, mas homens”, como escreveu Jean Jaques Rousseau.

 

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Segundo o instituto sueco V-Dem, Portugal ocupa o 18º lugar, no ranking das democracias.