A conversa estava pouco animada. Jeremias, de semblante carregado, demonstrava tristeza pela demolição do convento. Joaquim Terroso, ufano por leitura antecipada de Luiz Figueiredo da Guerra (Archivo Viannense, números 3 e 4 de 1891), era convicto nas suas afirmações. Segundo Guerra, dizia Terroso em voz esforçada, a desejar audição dos presentes, este convento dos Crúzios inaugurou-se em 1630, ainda mal iniciado. A horta foi cercada por um muro e a igreja nova foi improvisada com vigas e velas de navios à maneira de uma tenda. A cerimónia contou com músicos e alfaias vindas da Sé de Braga e a presença do Primaz D. Rodrigo da Cunha, que benzeu a primeira pedra. Seguiu-se a missa participada por nobres, militares, a clerezia dos mosteiros regulares e muitos populares. 

Em 1756 iniciou-se o segundo período da construção deste edifício. Do facto davam conhecimento os acórdãos da Câmara daquele mesmo ano. A Dom Inácio da Encarnação, prior de S. Teotónio, foi permitido fechar um caminho público para, em 1757, continuar a construção da capela mor e melhor configurar o templo. A Câmara cedera a água em 17 de novembro do ano anterior e designara uma nova área, a sul do monte de Santa Luzia, que era baldio na parte superior. Adquiridos mais alguns terrenos, se cuidou de cercar tudo com muros. Ainda com o Município, foi acordado que no baldio situado entre o caminho para a capela de Santa Luzia e a estrada para a Areosa se não permitiria qualquer construção para que a clausura permanecesse inviolada.

Terroso sentiu que devia dar término a uma descrição que, sendo interessante, era demasiado emotiva para quem não está de acordo com a demolição de templos com história. Citou de novo Figueiredo: “O Magnífico edifício começou a ser destruído em 1877, para dar lugar à estação dos Caminhos de Ferro. Parte da cantaria foi aproveitada para os viadutos da Conceição e do Figueiredo”. Um completo vandalismo, rematou Figueiredo da Guerra. 

Tristes, partimos em direção à Praça da República. Esta, felizmente inviolada. Dela falaremos mais tarde, dizia Terroso.

Concordamos. A nossa Praça quinhentista bem merece ser alardeada. Por isso a consideramos a nossa Praça de Visitas.