A Zona Protegida Especial (ZPE) dos estuários do Minho e Coura foi criada pelo Decreto-Lei n.°384-B/99 de 23 de Setembro de 1999 e integra desde 2004 a Rede Natura 2000 que define as relações com áreas classificadas de âmbito internacional, que adota, nos termos da Diretiva 92/43/UE, a lista dos Sítios de Importância Comunitária da região biogeográfica Atlântica. Ocupando uma área de 9% do Litoral Norte, abrange os concelhos de Caminha, Vila Nova de Cerveira e Valença, o limite dos efeitos de maré.

Esta é uma área muito específica a nível nacional, caracterizando-se por reunir um conjunto de habitats húmidos de elevada importância ecológica incluindo águas estuarinas, bancos de vasa e de areia, sapais, matas ripícolas, caniçais e juncais.

Na zona central do estuário a velocidade do fluxo diminui e isso permitiu a acumulação de depósitos sedimentares e a formação de restingas e ilhotas, que são utilizadas, algumas delas,  para exploração agrícola e pecuária.

Esta área alberga uma avifauna muito diversificada, com destaque para as aves aquáticas invernantes, que ocorrem em maior concentração entre os finais de outubro e os princípios de março. De notar a ocorrência da Águia-sapeira Circus aeruginosus (todo o ano), da Garça-branca-grande Egretta alba, da Águia-pesqueira Pandion haliaetuse (inverno), do Garçote Ixobrychus minutos, da Garça-vermelha Ardea purpúrea e do Milhafre-preto Milvus migrans (no verão). Destaca-se ainda a ocorrência de grandes bandos de Pato-real Anas platyrhynchos e a nidificação da Galinha-d’água Gallinula choropus, do Galeirão Fulica atra, do Mergulhão-pequeno Tachybaptus ruficollis e da Negrinha Aythya fuligula, embora os registos desta estas espécies tenha caído acentuadamente devido ao excesso de caça, a principal ameaça ao equilíbrio dos ecossistemas, além da artifialização das margens ripícolas (ecovia e ancoradouros de pesca e recreio).

É também um local importante de passagem migratória para passeriformes, nomeadamente as áreas de caniçal na confluência dos dois rios e nas manchas de floresta aluvial.

Para um observador, independentemente do seu grau de conhecimento sobre aves, qualquer ponto da margem constitui um bom observatório. Porém, atendendo à sua especificidade (pelo elevado número de espécies presentes todo o ano e dificuldade na realização segura da observação) o Sapal do Coura já há muito que justifica a construção de um observatório com passadiço. O sítio ideal seria do lado de Seixas logo após a travessia da ponte de Caminha. Aqui deixo o desafio às respetivas edilidades.

Jorge Leitão