Ainda perdura em Viana, cidade e concelho, uma ideia gasta, mentirosa e pequenina, sobre o teatro da cidade: a de que existe uma companhia que lá (no teatro) reside, que ocupa aquele espaço e que nunca (oh, meu Deus!), nunca é possível fazer lá “nada” porque estão sempre lá “os do teatro”!

Por um lado, o Teatro do Noroeste – Centro Dramático de Viana iniciou atividade em 1991 como Companhia Residente do Teatro Municipal Sá de Miranda e nessa condição completa, no próximo dia 6 de dezembro, 30 anos de atividade profissional ininterrupta, pelo que é compreensível que uma entidade residente de um equipamento cultural encontre no mesmo alguma preponderância.

Mas, por outro lado, não é verdade que o teatro esteja sempre ocupado. Pelo menos, não pela Companhia. Esta dispõe entre 90 e 110 dias por ano para fazer as suas atividades. Ou seja, menos de um terço do mesmo. E faz: 1 festival de teatro; 5 acolhimentos; 1 escola de verão para atores de referência em Portugal; 4 produções diferentes, 2 das quais para públicos alargados e 2 para públicos escolares, sendo que 1 delas circula pelas 27 freguesias do Concelho. Freguesias de onde vêm  em média, entre 7.000 e 8.500 crianças ao teatro a cada ano e, também por ano, e em média, entre 17.000 e 22.000 pessoas no total, dependendo da programação específica de cada temporada, só para as atividades da Companhia.

Em 2020, o Município e a Companhia criaram uma parceria de programação e direção artística conjunta do Teatro Municipal Sá de Miranda para melhorar a sua oferta cultural e respetiva comunicação. Parte deste trabalho pode ser visto em www.tmsm.pt. Através de uma abordagem especializada, é possível coadunar todas as atividades seguindo lógicas, conceitos e critérios de Programação (e não de calendarização), inclusivamente, salvaguardar dias para assembleias municipais extraordinárias, eventos de última hora e acesso das associações locais ao nobre palco vianense.

Neste particular, é até possível implementar uma ideia que já tem algum tempo: a de lançar um Festival das Freguesias, em que os agentes culturais de cada freguesia do Concelho disponham da oportunidade de se apresentar no palco da Sala Principal do Teatro Municipal Sá de Miranda.

E, mesmo assim, ainda sobrariam dias por preencher no teatro de todos/as nós.