Ode ao mar das coisas grandes e das coisas piquenas,
das coisas seminuas comidas cruas
Ode à tranquila impertinência dos corais sob películas oblíquas
Ode a uma flor materna e às formigas e ao fogo dos funerais
tudo a essa ode perpétua ode que fode e não f o d e
simples habita a incandescência lunar subalterna de mar
ode a estes ossos sob o ascenso das marés
até que tudo se fode ou se move na derradeira vez
ode aos gatos às cabras que torneiam o mar como na Grécia
úberes caídos de Deus pálpebras de Deus íris ventiladas de …
Atentamente vossa diria ode interminável dos gatos
dos cisnes e dos patos alvoroçados se um dia se fechar a porta
ode ode ode
e as nuvens da O’Keeffe e o rumorejar da sanguínea de Leonardo
e o arbítrio branco de Turner e a pubereza de Bach
e as bocas de Caravaggio e a conversa de Palazuelo
e a letra Vieira e a altivez burocrática de todas as odes de amor ao amor
ode aos impermeáveis quando chove
ode imutável impenetrável e o dígito que marca hora
é só uma gargalhada de criança no meio da ode tudo junto uno uniado
pinheiro manso altivez de pranto mulheres antigas como odes
e por isso mesmo tão jovens
fugazes seis cavalos no desfiladeiro vão dar à ode um poiso
no topus do quadrado branco de Malevich de onde se vê a ode
o mar da ode que não fode e fode
ir a correr para um pássaro para um galho para o farol
nas estrelas do Ruben A a piscar intermitências de
o – d – e
__ Até
já.

Angela C.
Professora Universitária,
Artista Visual, Poeta