Nos últimos tempos tem havido falatório abundante sobre André Ventura. Não sei se tal se justifica. O debate sobre a vida politica e os sistemas que nos poderão governar é muito interessante e demonstra maturidade e preocupação com o nosso futuro e da humanidade em geral. No entanto, há assuntos e personagens que merecem pouca controvérsia.

E este é um deles. É sabido que não faltam defensores de regimes apelidados de musculados (que em bom português se devem designar de tiranos) com o pretexto de estabelecer a ordem, a tranquilidade e o trabalho, na consecução de uma sociedade mais rica e mais avançada. Mas isso já a gente “sentiu no pêlo” e o resultado não podia ter sido pior. E se olharmos para o mundo e acompanharmos a história, só podemos concluir que nunca se construiu uma sociedade de progresso em ditadura. Adiemos então.

Para quem teve uma formação católica instruída nos melhores princípios, do diabo muito se falava e para o inferno ninguém queria ir, nem tão pouco para o purgatório. Hoje, a igreja, sem abdicar dos seus princípios básicos, trata estas questões de forma diferente.

Mas lembro-me que, noutros tempos, se doutrinava que a melhor forma de esconjurar o diabo passava por ter uma prática de graça constante com Deus, assente, fundamentalmente, no exercício religioso regular e na prática do bem na sociedade, onde caberia a ausência de ódios, a não cobiça do alheio e a solidariedade para com o próximo. Com tais virtudes, se faria, do bom católico, um cidadão completo. É por isso que cultivo o princípio de que as religiões, mesmo não se acreditando na vida para além da morte, têm, em certa medida, a virtude de educar e valorizar o Ser Humano.

Estes princípios, estas práticas que a igreja católica defendeu e defende, com mais ou menos variantes, tem plena aplicação em tudo na vida. Se defendemos um conceito de algo que consideramos o melhor para todos, temos em primeiro lugar que lhe dar aplicabilidade na nossa vida quotidiana. Assim, o tipo de sociedade onde cabe fundamentalmente a liberdade e a justiça social defende-se e ganha adeptos mediante uma prática que a justifique.

Se tal acontecer e os resultados forem os desejados, serão cada vez mais os defensores das sociedades abertas, solidárias, tolerantes e de paz. Desta forma, temos que nos preocupar menos com os tiranetes ou aspirantes a tal. O mundo será sempre melhor se cada um estiver permanentemente disponível para bem servir a sociedade em que se insere.
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