Saio de casa, desço a rua, como sempre, apressado e dirijo-me para a escola com a mochila às costas e os auscultadores nos ouvidos. Sigo o caminho do costume e observo o que se passa ao meu redor. Relembro como eram os locais por onde passo quando os vi pela primeira vez. Vem-me à cabeça o meu primeiro dia de aulas e a cara dos meus pais, quando lá me deixaram. Estavam ambos felizes por verem o filho crescer e passar por tudo o que eles já passaram em direção ao inevitável futuro que o aguarda e que tão rápido chega.

Durante a minha viagem, para além de observar as casas ajardinadas, observo também as pessoas. Reconheço algumas caras, outras nem tanto. Há algo que cada vez mais me chama mais a atenção: há sempre uma sensação de estranheza no ar. As pessoas passam umas pelas outras e nem um aceno ou uma saudação. É como se vivêssemos todos num mundo só nosso e isso deixa-me intrigado. Segundo os meus avós, as pessoas antigamente conheciam-se melhor e comunicavam mais. Ainda soam nos meus ouvidos aquelas prazerosas palavras” Bom dia”, “ Como está?”. Será que perdemos esse antigo hábito de cumprimentar as pessoas, como antigamente? Agora passa-se exatamente o contrário – cada um segue o seu caminho sem olhar os outros e isola-se do resto do mundo que o rodeia. Hoje as conversas fazem-se por telemóvel, por entre a multidão que passa apressada. É no trânsito, é nas paragens dos transportes, é nas filas dos supermercados, enfim em todas as situações do quotidiano. Se a Internet e, consequentemente, as redes sociais deixassem de existir a partir de hoje, o impacto social seria avassalador sem dúvida alguma. Tenho pena, pois acho que o nosso dia podia tornar-se muito melhor apenas com uma conversa ou um sorriso, pois, como às vezes uma palava pode ofender, um elogio pode mudar em muito a maneira como nos sentimos.

Nuno Morais

Foto: Rua Manuel Espergueira