A Biblioteca Municipal de Viana do Castelo acolheu, no sábado, 02 de Abril, pelas 17h00, a apresentação da mais recente obra do escritor Orlando Ferreira Barros, “Narrativa Póstuma de um Cadáver Afogado em Nevoeiro”. Este livro inaugura a coleção de ficção policial da editora Trebaruna, cuja linha editorial apresenta uma forte aposta em autores portugueses. “Narrativa Póstuma de um Cadáver Afogado em Nevoeiro”, que teve o apoio da Direção Geral do Património Cultural, é uma obra de ficção policial que se desenrola em Viana do Castelo e através da qual se sente o espírito da cidade, quer pelas “personagens únicas, carismáticas e inesquecíveis” – como salientou o editor Pedro Cipriano – quer nos ambientes descritos, que convidam o leitor a absorver a narrativa e a percorrer as ruas da cidade. Esta obra, com mais de 400 páginas, dá destaque ao monumento emblemático da cidade de Viana do Castelo que está atualmente votado ao abandono, o Mosteiro de S. Francisco do Monte, que de forma estilizada está presente na capa do livro. Porfírio Silva, escritor vianense, um dos convidados da apresentação deste livro, salientou a importância desta obra literária para relembrar aos cidadãos de Viana do Castelo a importância da recuperação do citado monumento. Orlando Ferreira Barros, natural de Leiria, mas a residir em Viana do Castelo há mais de meio século, afirmou que conserva uma “inquietação para um mundo melhor”, inquietação essa que continua a manter-se latente nas suas obras.

O autor tem já uma vasta lista de livros publicados, com 23 títulos originais e com vários prémios literários em teatro, prosa e poesia. Dos quase 80 anos de vida, conta com uma longa carreira de escritor, sendo, nas palavras do próprio, “45 anos de dedos escreventes”.

Sandra Silva

Sobre o novo livro 

de Orlando F. Barros

Sobre o autor

   Orlando Ferreira Barros diz que nasceu em Leiria, numa altura em que os aliados punham o pé nas praias da Bretanha, região do litoral francês, onde viveu uma infância e uma adolescência muito ricas em experiências. Atrevo-me a acrescentar que o Orlando Barros quase sempre teve uma vida rica em experiências, quiçá, uma rica vida…

Sobre a sua obra

O autor é licenciado pela Universidade de Lisboa e doutorado pela Universidade de Santiago de Compostela.

Da sua vasta obra, contam-se 24 originais, destacando-se entre eles vários prémios literários em teatro, prosa, ficção e poesia.

O escritor vive, atualmente, em Viana do Castelo, cidade onde animou um círculo de Poesia e orientou grupos de teatro amador, para os quais escreveu vários originais.

Sobre o novo romance

   Este novo romance de Orlando F. Barros fala de  um homicídio perpetrado em Viana do Castelo,  que chocou toda a cidade. Tito Benito era um moçoilo comedido e recatado, que aparece assassinado com requintes de malvadez, nas ruínas abandonadas do Convento de S. Francisco do Monte.

Dois inspetores da Judiciária de Braga, Silvano Cardeira e Renascida Ximenes (inspetora estagiária), são chamados ao local. Ximenes descobre espantada, que a vítima era seu colega dos tempos de escola. O cadáver tenta falar, mas ninguém presta atenção ao que ele diz…

O retorno à cidade, onde Ximenes «renasceu», fá-la confrontar-se com o seu passado que tenta a todo o custo pisotear. E, ao longo destas mais ou menos 460 páginas, Viana é o palco das vidas entretecidas destas, e de várias outras personagens (pág. 463), que nos levam sem constrangimentos e prazerosamente algemados a participar em cada momento do romance.

E, não cabe, ao apresentador(a) e/ou autor deste romance responder às questões da praxe: Quem? O quê? Onde? Quando? Porquê? Como?…

Cabe, sim, ao leitor folheá-lo e lê-lo com atenção redobrada esmifrando com proficiência as dicas deixadas pelo autor. 

Sobre a escrita do autor

Orlando Ferreira Barros é um autor de escrita desenfreada, polémica, desbocada, que utiliza as descrições por vezes longas, mas onde predominam a ironia, o humor, a gíria, o calão e até o baixo calão… e em que a ousadia da palavra percorre geralmente todo o romance e em que as expressões e vocábulos soam como chicotadas, na mente do leitor. Leitor, que estremece pela leitura contundente das mesmas, mas que compreende a sua utilização e passada a surpresa se vai habituando a ler, aceita, e chega mesmo a sentir algum fétiche na sua articulação

É mester, quanto a mim, que este fustigar de vocábulos, quiçá dardos, para as mentes mais puritanas, defensoras acérrimas da moral e bons costumes (por acharem nada acrescentar à qualidade literária das obras, sejam elas quais forem), continuem a surgir. A nossa mente carece de exercitar a aceitação, a tolerância literária q.b.  O que se observa neste romance, tal como em outros livros do autor, que se evidenciam por uma escrita forte, dinâmica, em que se observa uma fluidez não forçada, deslizante… tal molho bem condimentado, que se entranha no leitor seja ele naïf ou não.

A escrita de Orlando Barros não deixa tal, como a minha e de outros autores, por variados motivos, muita brecagem para mentes pouco espaçosas. A escrita, quanto a mim, só manipula quem é manipulável e quantas vezes, esta se apresenta de forma exacerbada, mas contribuindo apesar dos estremecimentos que provoca uma mudança, mesmo que parca ou efêmera, em alguns dos ditos leitores. A outros, porque bastantes manipuláveis, poderá instigar profícuas reflexões…e quando menos se espera, a mente confidenciar ao Ego: 

– Já fui tão feliz, ao ler este livro!

Lúcia Ribeiro