Não acontece com regularidade, mas de vez em quando alguém interage comigo para contrariar ou aplaudir os assuntos que vou abordando nesta coluna. Simpáticos uns, nem tanto outros, mas tudo dentro da normalidade e quase sempre procurando fundamentar opiniões expressadas. Confesso que recebo esta correspondência com interesse, tendo sempre a preocupação de lhe dar resposta, até porque só tenho a aprender com algumas propostas bem estruturadas que me chegam.

Na edição de 20 de agosto da AAL, na minha crónica “O Banco do Estado”, indicava deficiências orgânicas à CGD, que se traduziam no retardado atendimento dos clientes, havendo necessidade de esperar horas para se ser atendido, agora com agravamento da situação, dado o momento pandémico que vivemos. Ora um banco público não pode manifestar menos eficácia que o privado, caso contrário perguntarão os cidadãos “para que precisamos de uma entidade do Estado que não responde celeremente às necessidades dos clientes”. E eu penso que é fundamental um setor público, na banca ou outros, que enfileire com as políticas de desenvolvimento do país.

Pouco tempo decorrido, de um assessor de imprensa da Caixa recebo um email a chamar-me a atenção de que esta dispõe do sistema de Caixadireta e que, através do computador ou telemóvel tudo, ou quase tudo, pode ser tratado, evitando deslocações aos clientes, com benefícios para todas as partes. Agradeci a resposta, mas discordei, como bem se compreende. No futuro assim será, mas entretanto – e muito falta – ainda há uma percentagem da população, se calhar maioritária, que não domina, e jamais o conseguirá, as ferramentas informáticas. Ora esses não podem ser desprezados, e muito menos por um banco com as responsabilidades da CGD, quando nem a banca privada o faz.

Mas nem tudo é mau. A Caixa acaba de recolocar os monitores que orientam os clientes no atendimento, agora, por força da Covid, remetidos para o hall de entrada. A partir daí, acabou a tarefa incomoda de alguém que grita do interior o número do cliente que se segue. Era uma operação que devia ter sido executada logo que o malfadado vírus virou praga, mas mais vale tarde do que nunca. Somos tão disciplinados em algumas práticas e tão negligentes noutras.

Por proposta de alguns leitores, mais carecidos do que o normal em assistência médica, era meu propósito, nesta mesma coluna, falar também sobre questões de saúde, mas os caracteres atingiram o número estipulado. Fica para a próxima, até porque, dada a sua delicadeza, trata-se de um assunto que deve ser abordado com objetividade e o maior sentido de responsabilidade.
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