Uma significativa camada da população deste rectângulo ocidental da Península Ibérica, que dá pelo nome de Portugal, tem vindo a abraçar, nas últimas décadas, práticas de interacção social que se caracterizam pela arrogância, falsidade, inveja, etc, estando-se nas tintas para saudáveis hábitos educacionais e convenções sociais civilizadas que nos foram enformando enquanto sociedade. A liberdade passou a ser confundida com libertinagem, contando apenas o prazer do momento e sugando o mais possível tudo o que a vida permite. A importância que cada um atribui a si próprio, não só em função do seu alegado posicionamento social, mas também da entidade patronal para quem trabalha, tende a promover atitudes estúpidas e completamente descabidas.

Considero que todas as profissões merecem o respeito dos cidadãos, porque em todas elas existe algo que as individualiza, visto que exigem um conhecimento específico. E não confundo uma profissão com chulice ou mesmo parasitagem, como infelizmente é tão notório, sobretudo num estranho submundo onde tantos procuram alimento.

A actividade do futebol é, em si própria, uma actividade digna, quer porque se trata de um desporto saudável, que apaixona muitos milhões de pessoas, quer porque exige uma preparação e execução exímias a todos os níveis, por parte dos seus intérpretes, nos estádios, visando a excelência dos resultados. O que se torna repugnante é toda a chulice e parasitas que giram à sua volta visando, no fundo, ganhar dinheiro fácil e rápido, à custa do esforço dos atletas. Para o efeito, recorre-se a todos os processos com o maior despudor, escrevem-se aleivosias, inventam-se falsos heróis, ataca-se o carácter, promove-se a mentira, desvirtua-se a verdade desportiva, dá-se voz pública através do audiovisual a verdadeiros incendiários, fazem-se fortunas vindas do nada, enfim, coloca-se este chamado desporto-rei no patamar dos interesses mais obscuros. E isso não deveria acontecer, porque o futebol não deixa de ser uma arte com categorizados actores.

Mas, como em tudo na vida, tem de haver sempre os considerados intocáveis. E neste grupo estão árbitros e jornalistas, quais vacas sagradas sobre os quais não se pode abrir a boca para lançar uma crítica justa. Trata-se de algo que tem de mudar, porque ninguém está isento de críticas, e logo então neste país de amplas liberdades! Alguns árbitros do futebol não têm categoria para o exercício da função, e isto tem de ser dito porque apresentam uma visão deficiente, ou seja, só vêem para um lado, beneficiando e prejudicando, em simultâneo, quase sempre os mesmos. Alguns parece que padecem mesmo de cegueira, porque não conseguem ver o que todo o mundo vê, e aquilo que tem acontecido ultimamente é de arrepiar, na medida em que o campeonato se aproxima do seu termo, estando na fase do alinhamento final, havendo prejuízos irreparáveis resultantes de decisões injustas.

Alguns jornalistas, muito ciosos das suas habilitações, também não evidenciam talento e alguns nem falar sabem com propriedade. Procuram a todo o custo um furo jornalístico que os projecte, furos que, curiosamente, acabam por incidir sobre o carácter dos visados, não importando se lhes destroem a carreira e mesmo a vida. O que importa é a difusão da notícia, muitas vezes não recortada, analisada e interpretada para se tornar numa informação, que é isso que deve ser divulgado ao público, isto é, o conhecimento da verdade.

Custa-me ver situações em que importantes e respeitáveis personalidades, quer pelo curriculum académico e profissional, quer até pela idade, são merecedoras do maior respeito, e jornalistas atrevidos e arrogantes as tratam com uma grosseria e falta de educação arrepiantes, impedindo-as de se expressar ao cortarem-lhes o fio condutor do raciocínio, ostentando por vezes hostilidade e, até, rebaixando-as, como se o facto de ser jornalista seja entendido como divino e os coloque no topo da pirâmide. Não sei que princípios deontológicos lhes incutem nos estabelecimentos onde fazem os cursos, se é que alguns os possuem, porque a verdade é que dão um triste e censurável exemplo de como não se deve fazer jornalismo.

Ser jornalista é uma profissão digna como qualquer outra, mas há, de facto, quem a descaracterize, e esses têm de ser anatemizados porque não são dignos de serem chamados jornalistas, assim como não são vacas agradas sobre os quais não se pode abrir a boca.

Precisamos de jornalistas sérios e competentes, felizmente temo-los, mas o jornalismo de sarjeta e de faca e alguidar, para vender aos que só ficam satisfeitos com o mal alheio, parece estar em crescendo e esse tem de ir para o esgoto. A nossa sociedade não tem intocáveis. E quando assistimos a críticas cerradas às personalidades que dão corpo aos órgãos de soberania e outros, por que razão não se podem criticar árbitros de futebol e jornalistas? A prática democrática mostra que ninguém está imune à crítica, porque não existem vacas sagradas neste país.