Narrativa Póstuma de um Cadáver Afogada

Na nossa edição de 16/09/21 escrevemos: “ora com prosa, ora com poesia, qual trabalhador que já não lhe sobeja tempo para cuidar dos calos das mãos, Orlando Barros (OB), demonstra-nos que só o trabalho da escrita o sossega. Chegaram-nos mais dois livros”. Já sabíamos que não íamos esperar muito para que novos chegassem, porque ele quer manter-se sossegado. E assim é que está bem. O que mais precisados estamos todos é de estar em paz com o nosso espírito. E se é a trabalhar que o conseguimos, tanto melhor. Mas se do trabalho resulta obra que nos prende e convida à leitura, então está conseguido o pleno.

Obrigado, Orlando, por estares permanentemente a premiar-nos. Agora brindas-nos com um caso de polícia, em 478 páginas. E não dá para suar as estopinhas, porque quando há enredo, há vontade de chegar ao fim. É um caso de homicídio cá na nossa Viana, mais concretamente nas ruínas, que tão abandonadas estão, do Convento de S. Francisco do Monte. Ali se pôs fim à vida de Tito Benito, ainda rapaz e dado à boa paz. A judiciária, a quem prestígio não falta, toma conta do caso, só que o agente Ximens foi colega do pobre Tito, o que muito contribui para que o enredo se torne em enredo maior. Mas não vale a pena dizer como tudo acaba, porque para isso é preciso ler o livro do princípio ao fim. Daí que o aconselhemos, com uma reverência para este escritor que não cansa. Ainda bem…

 Dicionário de Falares do Minho

Agarrar a feitura de um dicionário, mesmo tratando-se de temas de ordem geral, é sempre um trabalho ciclópico, mas se formos para um tema específico, como é o caso em presença, bem que tarefa se apresenta inimaginável.

O Dicionário de Falares do Minho, diz-nos Amadeu Ferreira, na contracapa do livro, obrigou o autor a “um trabalho silencioso e meticuloso de quem tem respeito pelas palavras, pelos informadores e pelos investigadores que as deram a lume”. Diz ainda que se trata de um trabalho de campo para a recolha de vocabulário minhoto, muito disperso e que implicou anos de pesquisa.

Constatámo-lo. São cerca de 360 páginas de vocábulos com os seus significados, que só a gente do Minho conhece, mas que agora também passaremos a conhecer. Sabe o leitor que, por exemplo, “Focha”, em Monção, é o jogo infantil do botão? Mas talvez não lhe seja estranho que a palavra “Maquiar” significa, em Guimarães, furtar ou, em bom português, roubar.

Vítor Fernando Barros, o autor deste dicionário, docente na escola Mouzinho da Silveira, com vasta obra publicada, bem merece aplausos por tão devotado trabalho, com edição da Âncora Editora.

Emigração – História contemporânea

Escreve quem sentiu a emigração no corpo e quem sobre o tema já muito escreveu neste jornal, na sua condição de regular colunista. Trata-se de Leandro Matos, homem multifacetado, que teve a coragem de já sexagenário se aventurar a fazer uma licenciatura. 

Conta histórias tendo os emigrantes como protagonistas, diz-nos das diversas formas de fazer o caminho da emigração, sendo gente do sexo feminino ou masculino, aponta causas, mas vai além disso: de forma simplificada e suficientemente acessível, apresenta-nos um conjunto de indicadores de especial valia sobre a emigração no Alto Minho, indicando todas as variantes inerentes à saída de Portugal neste espaço nortenho. Tudo de forma muito escorreita e inteligível, com matéria fundamental para uma boa compreensão mesmo para os curiosos e pouco dados à leitura. 

O Livro conta com um elucidativo, porque bem fundamentado, prefácio do Professor do Ensino Superior Henrique Rodrigues, também ele um especialista em emigração, já que foi nesta área que fez o seu doutoramento.  Conta ainda com uma nota introdutória do Eng. José, Maria Costa, ainda na sua condição de Presidente da Câmara de Viana do Castelo. 

Aos três autores agradecemos os exemplares enviados.