“Os Marujos” é ainda uma família muito conhecida nas Neves, a quem pertenço, que advém de meu bisavô por ter sido carpinteiro a bordo da marinha mercante, durante os anos trinta, que, quando vinha ao povoado trajava de marinheiro.

A partir daí ficou conhecido por toda a gente do meio, pelo Marujo, de tal modo que a alcunha ficou gravada para durar, e, ainda hoje, os seus filhos netos e bisnetos são conhecidos por esse epíteto. Recordo de o ter conhecido, já viúvo, com os meus 10 anos de idade, ao levar-lhe o almoço em marmita própria a sua casa, atravessando por atalhos campos de milho. Não havia estradas.

História engraçada…Contavam-me os mais velhos lá da aldeia que um dia na igreja e durante a homilia, em plena missa, o meu bisavô, a quem os bisnetos chamavam “pai outro”, por já terem o filho dele como avô – o conhecido Zé Marujo, alfaiate de profissão que comercializava roupa feita e vendia nas feiras de Ponte de Lima , Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, etc., teria mandado calar o padre por achar que este não estava a falar verdade sobre determinado assunto.

Na aldeia e circunvizinhas nunca se cansaram de lembrar este episódio de um “Marujo” da época dos anos trinta. Filhos já não fazem parte dos vivos, mas netos e bisnetos ainda hoje são procurados na povoação por essa alcunha. Só que estes não vestem nem nunca vestiram a farda da nossa Marinha!
leandro.neves.matos@sapo.pt