Decidi que, em vez de andar macambúzio por aí, haveria de ocupar o meu tempo a tentar desvendar os segredos do Além. É um bom exercício para quem está no último quartel de um século. O tempo urge. Quem de novo não foi…

Deus, para os crentes, é o criador. No entanto, não terá feito uma obra completa e nem sequer a completou nestas muitas centenas de milénios de vida humana. Por exemplo, não nos deixou provas sólidas nem da sua existência, nem do que vai seguir-se à vida terrena (e que Ele perdoe o meu atrevimento). Os sacerdotes, de todas as épocas e religiões, que se apoderaram de Deus (só nós O representamos – dizem, ufanos e sacrílegos!), remetem uma grande parte das dúvidas ou doutrina para a classificação de mistérios. Afinal, parece que tudo é misterioso. Seja como for, dei comigo a embrenhar-me no mistério dos Ovnis (objetos voadores não identificados) ou Ufos (em inglês, Unknown – ou Unidentified – flying object, exatamente o mesmo que Ovni). Isto terá a ver com o universo místico ou sobrenatural. Ou seja: mais outro mistério para tentarmos decifrar.

Já há muitas décadas que ouvimos falar dos Ovnis. Mas, nesses tempos, o fenómeno dos ovnis assentava no relato oral de uma pessoa (ou de várias, por vezes), sem qualquer prova fotográfica. Agora, porém, com o uso generalizado do inseparável telemóvel (com gravação imediata de fotos ou vídeos desses avistamentos), a aplicação da internet YOUTUBE publica, quase diariamente, novas aparições de Ovnis. Mais: as autoridades de quase todo o mundo (civis e militares) vinham guardando a sete chaves esses fenómenos, adensando o mistério. No entanto, nenhum segredo existe para todo o sempre e, em Setembro passado, o The New York Times, e depois a CNN, noticiam que a US Navy (marinha dos Estados Unidos) confirma a verdade dos vídeos recolhidos por alguns pilotos.

Ao mesmo tempo que tudo isto se revelava, lia no Observador a interessante crónica do Padre Gonçalo Portocarrero de Almada (da Opus Day), com o não menos curioso título “A primeira astronauta da História da Humanidade”, referindo-se a Maria, a mãe de Jesus e, mais concretamente, à penúltima aparição de Nossa Senhora, a 13 de Setembro de 1917, onde estava presente uma multidão de gente e, concretamente, o Monsenhor Dr. João Quaresma e vários amigos (com nome citado). O Padre João Quaresma escreve: “vi, clara e distintamente, um globo luminoso, que se movia do nascente para poente deslizando, lento e majestoso, através do espaço”. E logo a seguir o relato de que “de repente, o globo, com a sua luz extraordinária se sumiu aos nossos olhos”. Um dos seus amigos, o Padre Manuel Góis, viu o mesmo fenómeno. E encetaram os dois um diálogo: “Que pensas daquele globo?” E responde o Padre Manuel Góis “Era Nossa Senhora”. Conclui, então, o Monsenhor Quaresma: “Era também a minha convicção. Os pastorinhos viram a Mãe de Deus. A nós fora-nos concedida a graça de ver o aeroplano que a tinha transportado do Céu à charneca inóspita da Serra d’ Aire”.

O Cónego francês Barthas, famoso historiador de Fátima, acrescenta que “o globo luminoso tinha uma forma oval, com o lado maior voltado para baixo“ e que, na interpretação do Padre Gonçalo, se tratava de “uma nave espacial sui generis” ou, na minha opinião, um “disco voador”, um Ovni… simplesmente!

No entanto, ao ler isto, pensei: mas a escritora e historiadora Fina d’Armada, escreveu um livro sobre este tema e teria concluído que as aparições de Fátima constituem um encontro entre os pastorinhos e os extraterrestres ou, como se diz agora, alienígenas, e que se deslocavam em Ovnis. Encontrei o livro num alfarrabista de Lisboa, cujo título é “Fátima- o que se passou em 1917”, numa edição de 1980 (creio que única), da Livraria Bertrand.
Mas como uma surpresa não costuma vir só, descubro outro mistério no YOUTUBE e no Google: o encontro entre o Papa João XXIII, em Julho de 1961, na residência de verão de Castelgandolfo, com um alienígena semelhante a um ser humano. “A conversa entre os dois durou cerca de 20 minutos”, segundo o secretário papal Loris Francesco Capovilla, que relatou esse encontro, mas não escutou o teor da conversa. O papa João XXIII, Ângelo Roncalli, também denominado “o papa bom”, e a quem se deve a convocação do concílio Ecuménico Vaticano II, em 25 de Dezembro de 1961, foi entretanto canonizado.

O santo padre João XXIII a quem perguntaram, já perto da sua morte, o que teria acontecido nesse encontro, ele, o papa, disse: “Vou carregar esta história em meu coração”.