Nos fins dos anos quarenta, propagava-se por este país uma outra epidemia chamada de tuberculose. Atingiu várias famílias. Era eu ainda rapazote e andava na escola primária. Uma das vítimas foi o meu pai, que acabou por falecer ainda muito novo, com 42 anos, depois de ter passado pelo sanatório D. Manuel II, em Gaia, hoje centro hospitalar Gaia–Espinho, Gelfa, por casas de saúde de Braga e outras locais, e ter estado muito tempo acamado em casa.

Era um outro tipo de pandemia, diferente da que enfrentamos atualmente, mas recordo que na época as pessoas da aldeia se desviavam de nós, filhos, e ainda muito mais do meu pai, com receio de serem afetadas por aquela doença.

Recordo ainda que naquele tempo havia umas carrinhas que passavam pela escola primária para que todos os alunos fossem vacinados. E fomos todos lá de casa.

A nossa mãe separava o prato e os talheres de cada um, e comíamos com o maior dos zelos possíveis.

Eramos seguidos todos os meses pelo SLAT – dispensário sediado em Santo António, Viana do Castelo que, naquele tempo estava intimamente ligado àquele serviço, se bem me recordo.

Nós escapamos. O nosso pai, não! Infelizmente!

Como agora acontece! Há quem escape. Outros não. Mas dá-me a sensação de que apesar das recomendações das autoridades sanitárias muitos se escusam a cumpri-las!

Este episódio que contrasta com o anterior, surge-me agora mais frequentemente à memória devido ao momento atual. Nunca me esqueci dele, desde muito novo!

Agora vemos empresas a encerrar, restaurantes, bares, discotecas e outros e a nossa economia corre o risco de se afundar progressivamente com tanta insolvência!… Onde vai isto parar? Tomemos todos a consciência do que nos pode acontecer, a nós, aos nossos filhos e netos!

Vê-se muita gente sem máscara, e de dia para dia, os números de infetados e de mortos sobe vertiginosamente. Um descalabro! Isto para não dizer que há quem se desvie deles com receio, como acontecia antigamente.

Há pessoas que fazem a sua vida normal sem pensarem nos outros. Temos que ser responsáveis uns para com os outros para evitar este tipo de desvios.

A responsabilidade individual é muito importante. Vamos a isso.