Para as gentes do Minho, particularmente para os católicos, a Páscoa, porque celebradora da ressurreição de Jesus, ocorrida ao terceiro dia após a sua crucificação no calvário, tal como consta do Novo Testamento, é vivida com assumido sentimento de devoção e fé, a par de uma forte comunhão de espírito e proximidade entre as pessoas, independentemente da devoção de cada um.

A celebração da Páscoa constitui, também ela, um tempo de encontro de famílias e de amigos. Não tanto quanto o Natal, mas, igualmente, com um cunho de aproximação dos que não se deixaram diluir no tempo em relação a práticas antepassadas, em boa medida no que diz respeito às visitas pascais a casa dos que se sentem bem ao abrir a porta a cristo, como fazem questão de afirmar.

Mas o tempo, este cruel tempo presente volta a não estar propício para que estas benignas práticas se realizem. Voltamos ao tempo das trevas, como alguns vão dizendo na praça pública? obviamente que não. Este tem que ser um tempo passageiro, mesmo que esteja a ser menos passageiro que o esperado. Terá custos, como se vai verificando, económicos, psíquicos e outros, mas será um tempo que, quando passado, nos deixará convictos de que fomos suficientemente fortes para o ultrapassar e de que podemos respirar um sentimento de crença para um futuro que não será de todo fácil, mas que, com serenidade e determinação, igualmente haveremos de vencer.

Dizia Victor Hugo (1802/1885), personagem eminente da cultura francesa: “Oh! Amanhã será o grande dia, mas o que acontecerá amanhã?”. De facto, não sabemos o que será o amanhã, mas o mundo não se constrói sem confiança. E temos razões para ser confiantes. Ainda há pouco tempo, desesperávamos com as consequências gravosas da pandemia, com um incontável número de internados e falecidos, mas hoje, no plano europeu em que nos inserimos, estamos de novo bem situados. E também aqui escrevemos que não era falando de caos, com recriminações a eito, que ultrapassaríamos o momento difícil que vivíamos.  Por isso, esta deverá ser para todos a Páscoa da esperança. Não é só acreditando, porque cada um terá que fazer a parte que lhe toca, mas temos o legítimo direito de confiar que haveremos de sair vencedores.

Pintomeira, um pintor vianense que correu mundo, artista que aprofundou talentos nas escolas de arte de Paris e Amesterdão, ainda recentemente alvo de homenagens do nosso Município, com grande parte da sua obra exposta nos espaços centrais da cidade e a edição de um livro onde se retrata o seu percurso artístico, é o autor do quadro que publicamos na capa desta edição, uma Pietá (a Virgem Maria com o corpo de Jesus morto nos braços).   Foi para este jornal uma honra contar com a sua desinteressada colaboração. Aqui lhe expressamos a nossa gratidão.