Andam por aí uns quantos pseudointelectuais que se exibem nas televisões, polvilhando os espectadores com ideias preconceituosas para lançar o descrédito histórico e romper com ideais que se foram edificando ao longo da vida. O interesse último destas narrativas insidiosas visa denegrir vultos nacionais que lutaram e construíram o país que somos e a quem tanto devemos. Colocar em causa séculos de esforços e de corajosas iniciativas para engrandecer Portugal é amputar a sua História, e a isso chama-se traição.

Tanto quanto sei, não deverá haver nenhum país na actual geografia planetária cujos governantes, no passado, não tenham cometido erros e injustiças no alargamento das suas fronteiras na busca do espaço vital para os seus povos. E Portugal, com uma fronteira terrestre única com um país que dele por diversas vezes se quis apoderar, não fugiu à regra e, não podendo alargar o seu horizonte por terra, fez-se ao mar naquela que é a sua mais brilhante estratégia político-militar, que ficou imortalizada por Luís de Camões na sua magistral obra, Os Lusíadas.

A História de Portugal assume que se cometeram erros e disso não dúvidas, mas também não há dúvidas que os povos que foram colonizados ficaram mais consciencializados para realidades que desconheciam, através da aculturação, sendo naturalmente beneficiados por outras culturas mais evoluídas que os fizeram crescer. O pensamento e a acção política daqueles tempos era diferente, praticaram-se e corrigiram-se injustiças, mas foi assim que chegámos aos dias de hoje, com a língua portuguesa como traço de união entre as novas nações que constituem os PALOP.

Actualmente está muito na moda falar-se em racismo, recorre-se ao passado para justificar os excessos, mas tudo não passa de um oportunismo grosseiro e premeditado para dividir, alimentando ódios, e não para dar as mãos e viver em paz. Dizer-se que Portugal pratica o racismo é profundamente insultuoso e visa, no fundo, gerar violência, porque não é de agora, mas de há muitos anos, que vêm sendo evidenciadas políticas de integração e de igualdade de tratamento e de oportunidades, em função do conhecimento e das competências individuais. Já quando Marcello Caetano era chefe do governo tais políticas existiam, de facto, tendo, naturalmente, vindo a ser melhoradas com a democracia, como não podia deixar de ser.

O que existe, sim, são alguns comportamentos individuais de natureza racista que devem ser anatemizados, mas que não devemos confundi-los com a sociedade, porque esta é tolerante e acolhedora. São atitudes pontuais que não acontecem só entre etnias diferentes, mas também e, sobretudo, dentro delas próprias e com muita maior agressividade. Os paladinos da justiça e do amor, à falta de causas genuínas e autênticas, exibem-se nos media, tomando a parte pelo todo, e lançam intencionalmente a confusão no espírito dos cidadãos, contribuindo de forma consciente para a degradação do clima social.

Isto conduz-nos às manifestações antirracismo que ultimamente têm acontecido em vários países, tendo como pedra de toque o assassinato cruel de um cidadão negro por um polícia branco, nos Estado Unidos. Trata-se de um acto desprezível e condenável que nunca deveria ter acontecido, mas que fez espoletar ódios adormecidos. E em Portugal, onde a genuinidade é inexistente, mas onde se privilegia o mimetismo, também este movimento de manifestações antirracismo tinha de se mostrar. E a verdade é que o fez com todos os ingredientes, desde agitadores e anarquistas profissionais a toda a plêiade de oportunistas e de mentecaptos que nem sabiam o que estavam a contestar, exibindo-se cartazes com frases de protesto   para todos os gostos.

Foi manifesto o ódio de morte contra os polícias, como se os nossos agentes fossem os autores do assassinato do negro norte-americano. Na verdade, certa gentalha que, cobardemente, se exibe de forma criminosa, mas só em grupo  –  porque isolados falta-lhes a coragem  –  contra as forças de segurança, deveria ser exemplarmente punida pelos tribunais de modo a quebrar-lhe o ímpeto por tais agressões de conteúdo que eu chamaria mesmo de terrorista. É que enquanto houver punhos de renda, no tratamento destes casos, manter-se-á a máxima de que o crime compensa e isso desacredita a Justiça, desmotiva os agentes das Forças de Segurança e poderemos vir a enfrentar situações imprevisíveis. Os agentes das nossas Forças de Segurança, sendo humanos, naturalmente que cometem erros, mas, daí até serem apelidados de racistas, vai uma distância sem fim. Respeitemo-los como lhes é devido!

Nestas manifestações contra o racismo surgiu também um elemento novo, que é a degradação de estátuas de vultos da nossa História colectiva. Queiram ou não os seus detractores, jamais conseguirão apagar esses nomes da História, a que ficaram indelevelmente ligados. Foram pessoas importantes, com defeitos e virtudes, que, nas suas épocas, lutaram pela afirmação de Portugal no mundo, merecendo o nosso respeito! Não adianta degradar as estátuas, nem destruí-las, nem mudar os nomes, porque as pessoas existiram e fizeram o que achavam melhor para o país, que a sociedade reconheceu ao imortalizá-las através destes símbolos. Nem mesmo os constantes ódios contra Salazar, com a alteração do seu nome na ponte sobre o Rio Tejo, tendo-se atribuído outra designação que nada tem a ver com ele, que a mandou construir, conseguirá riscar o seu nome da História. E péssimo exemplo darão os governos se fizerem cedências a estes pseudointelectuais patrióticos e de extrema-esqueda, que parece terem como único lema de vida provocar fracturas na sociedade.