Num curto prazo, que se deseja ser breve, Portugal tenta acordo com Espanha para que o mesmo comboio possa funcionar debaixo de “diferentes tensões elétricas”. No longo prazo, que se espera que não seja muito longo, Portugal quer que a Espanha “mude a catenária ferroviária”. 

Os dois países estão a negociar um acordo para que o mesmo comboio elétrico circule entre PORTO e VIGO, apesar de diferentes tensões na catenária dos dois lados da fronteira: 25.OOO volts do lado português e 3.OOO volts do lado espanhol. Se a RENFE utilizar a locomotiva da Série 252, com diferentes tensões, o problema fica resolvido. Caso contrário, Portugal tem que negociar com Espanha a hipótese de adotar a tensão de 25.OOO volts entre a Fronteira e Vigo. Nós não temos comboios bi-tensão. Os espanhóis têm. “É preciso falar com o Governo espanhol, pois aquele investimento não deve ser muito grande”, afirmou o ministro Pedro Santos.

Entretanto, enquanto os dois governos não se entenderem, eu, de férias, se quiser ir a Vigo, no comboio Celta, vou num comboio movido a petróleo… melhor a um derivado do petróleo, com o inconveniente de viajar num comboio internacional, com cheiros nauseabundos, ruídos e carruagens pouco confortáveis. Isto é uma vergonha, quer para a CP quer para a RENFE que não se entendem com a eletrificação do percurso Valença-Vigo, a 25.OOO volts e não 3.OOO volts, como está agora. No meio de isto tudo, na qualidade de utente e de jornalista, gostaria de saber o que pensam fazer os Srs. presidentes da Câmara de Viana do Castelo, de Caminha, de Vila Nova de Cerveira e de Valença, pois esta situação de “Lana caprina”, prejudica, e de que maneira, o comércio e o turismo destas localidades. E digo mais: o Sr. ministro Pedro Santos, em vez de inaugurar carruagens “recauchutadas” que os espanhóis tinham na sucata, devia resolver, e já, este problema que afeta todo o litoral minhoto, de Viana do Castelo até Valença. Era isto que as edilidades alto-minhotas deveriam ter dito ao nosso ministro. E quanto ao material circulante ferroviário nacional, aquele governante esqueceu-se de dizer que ainda no tempo da ditadura, a empresa SOREFAME portuguesa, construiu muitas carruagens para a CP. E eram novas. Comboio Porto-Vigo a gasóleo? Não obrigado. 

                          

                          A.S. (jornalista  CO-8O CPCJ)