A Olaria é/era uma das mais antigas e tradicionais atividades da região de Viana do Castelo, lugar onde possui, desde há muito, um vasto historial.

É uma olaria com características próprias, bem diferentes dos centros vizinhos, sendo já no século XVII uma das mais prósperas da cidade. É/era caracterizada através dos tempos pelo seu aspeto aparentemente grosseiro, devido à não existência nas suas peças de motivos decorativos, o que hoje em dia já não acontece.

Especializados em loiça utilitária, os oleiros de outros tempos, percorriam os mercados e feiras da região divulgando a sua arte e transformando-a numa das principais riquezas da sua comunidade. Recordo as feiras de Barcelos onde tudo isto se procurava.

Entre as peças de barro utilitárias fabricadas pelos oleiros de Viana e outros, deve-se destacar os tradicionais alguidares vidrados, que se destinam, entre outras coisas, a ser utilizados nas tradicionais matanças do porco, as bilhas, barris e cântaros para armazenar a água. Aconteceu muitas vezes o uso destes utensílios com a minha progenitora, mesmo para outros fins.

Todavia, e como é natural, ao longo da sua existência, foram sendo introduzidas alterações a vários níveis, na olaria vianense, as quais acarretaram como consequência, a melhoria das condições de trabalho do oleiro e uma produção em termos de qualidade final, bastante superior. Chegando a ser muito conceituada não só a nível nacional como internacional.

Para se obter a qualidade final que as peças artesanais têm hoje, houve necessidade de se sacrificar grande parte da genuinidade que caracterizava a olaria vianense. Efetivamente, pode-se constatar que se deram grandes mudanças em aspetos cruciais, como o facto de se ter deixado de recorrer por completo à matéria-prima local: ao barro e a outros produtos naturais complementares. A justificação para esse abandono, pode ser encontrada no facto de o processo de recolha e preparação, até há bem pouco tempo completamente artesanal, não permitir um barro de grande qualidade. Também em termos de custos, é menos trabalhoso e mais rentável adquirir o barro já embalado e pronto a trabalhar, como acontece com os artesãos de Sta. Maria de Galegos – Barcelos.

O recurso a novas tecnologias tornou-se imprescindível para a competição em termos de mercado. Assim, a roda, outrora impulsionada pela força humana, ativada com o pé, rodando, é agora uma roda elétrica, diminuindo o esforço diariamente exigido ao oleiro e um significativo aumento da produção. Outra alteração, foi a aquisição de fornos elétricos, que veio substituir aqueles construídos no pátio dos oleiros, feitos em alvenaria com tijolos refratários, resistentes a altas temperaturas, e aquecidos com lenha.

Outro acontecimento marcante na história da olaria vianense, deu-se com o enveredar pela pintura decorativa, embora nunca se tenham abandonado as peças utilitárias, como o tradicional alguidar. A procura de um estilo próprio tem sido o desafio dos jovens oleiros, nesta vertente em que a arte aplicada é eminentemente popular, recorrendo-se a motivos geométricos, florais e representativos de profissões em miniatura. Com efeito, após um período áureo, já aqui referido, a sua posterior desativação, resultou em crise para a olaria, que atravessou tempos difíceis, não lhe sendo dispensada a atenção merecida (veja-se o caso de loiça de Viana). À falta de melhor meio, a transmissão de conhecimentos tem-se processado, ao longo de gerações, de pais para filhos, de resumida produção, exploração e expansão. É pena!

A reativação de uma escola seria importante para promover o justo interesse por esta atividade junto dos jovens, (ver curso de cerâmica no IPVC), com o ressurgimento recente das primeiras encomendas de empresários estrangeiros, como outrora.

Outro fator a reter é que a maioria da mão de obra que pinta a cerâmica é feminina, contribuindo assim, para a diminuição de desemprego de mulheres no concelho, para o seu desenvolvimento, agora um tanto ou quanto estagnado pelo que se consta.

Por isso, impõe-se um profícuo apoio pedagógico/educativo para o relançamento desta importante indústria que, foi vianense, e, poderia continuar a desenvolver-se.