Conheci-te no rio. Junto ao cais do Eduardo, ao fundo da antiga rua Sacadura Cabral (Hoje “Rua A Aurora do Lima”).

Eu tinha 12 anos, tu, aí uns 15.

A amizade, apesar da diferença de idades, foi imediata e depressa se consolidou. Tínhamos interesses e gostos comuns. O rio e os barcos.

Tu eras mais vela, mastro, patilhão, enfim, velejar, bolinar.

Eu era mais remo, tolete, bartedouro, enfim, remar, gingar (zingar, dizíamos nós).
Muitas das noites, íamos para o rio. Tínhamos uma grande paixão comum. A “MOUCA”. Bote a remos, de madeira, fundo chato, 3 metros de comprimento, de proa cortada, tipo gamela!

Íamos treinar largadas rápidas, como víamos os remadores do Náutico fazer no Shell 8. Tu eras voga, eu era proa. Fazíamos largadas rápidas, junto à muralha do rio, para termos noção da velocidade. Dezenas de vezes, ora a favor da corrente, ora contra a corrente da maré.

Exaustos, regressávamos ao cais. Cada qual ia para sua casa. Felizes.

Muito depois, chegou Abril. Conheci, ou melhor, confirmei e compreendi com mais clareza as tuas fortes e bem estruturadas convicções políticas.

Diferentes das minhas. Com amigos e amigas, tivemos fantásticas discussões. No final, na despedida, pequeninas “provocações”, acompanhadas sempre, mas sempre, de sorrisos e abraços.

Já lá vão mais de 50 anos, continuamos como no cais do Eduardo.
Tu, Quim, és o Homem mais nobre e bondoso que conheci.

Fernando