A denominada terceira idade apresenta-se como um problema delicado para as sociedades. A existência, por razões diversas, mas, particularmente, como consequência da cada vez maior e melhor assistência médica, vai-se prolongando, mas, regra geral, quanto mais se prolonga menos qualidade de vida as pessoas vão tendo. Viver quase alimentado por medicação, com permanente dependência de terceiros para todos os fins, é por demais penoso para quem assim se encontra.

Depois, coloca-se o dilema de quem deve tratar convenientemente de idosos. Critica-se quem pousa os seus familiares nos lares – e estes, tantas vezes, resistem a esta solução –, mas há situações em que não há outra alternativa, até porque, em muitas circunstâncias, dado o grau de dependência dos idosos para os mais diversos fins, em especial no plano da assistência médica, o lar, quando dispõe das principais valências, onde não falta o fundamental, surge como a solução mais indicada para acolher estes casos extremos.

As sociedades dividem-se entre a crítica contundente, citando o provérbio de “velho mudado – velho enterrado”, e a tolerância, porque cada caso merece abordagens diferentes, e as mais convenientes. E quando se coloca a questão de que os lares são uma modernice das sociedades atuais, é bom reconhecer que há 40 anos quase não havia lares, porque também quase não havia idosos, já que boa parte da gente morria nova. Por outro lado, havia quase sempre gente em casa para tratar dos mais velhos, o que hoje já não acontece. Contudo, teorias à parte, do que não pode restar dúvidas é de que para os idosos, particularmente para os mais debilitados, em casa ou nos lares, toda a assistência e carinho são necessários e obrigatórios. Não tratar convenientemente os mais velhos só demonstra incultura e desumanidade, tantas vezes resultando em remorso.

O que está a acontecer com a iniciativa “Letras com Afeto”, no âmbito do projeto “Janelas ConVida” (ver pág 07), já com sucesso reconhecido, é um dos muitos caminhos que podem ser encontrados para que as sociedades não se compartimentem em novos e menos novos. Escrever cartas entre gente de gerações situadas em polos de idade opostos, neste caso entre alunos de uma escola e utentes dos lares, só pode resultar bem, dada a proximidade que se cria entre quem o faz. Bem necessitada está a nossa sociedade, e todas as sociedades do mundo em encontrar soluções para evitar isolamentos de sectores das populações.