Sem dúvida que o conflito armado na Ucrânia irá deixar perigosos reflexos no interior dos diversos Estados do território europeu. É que, a pretexto da segurança das fronteiras externas da União Europeia (UE), os países ocidentais têm fornecido, massivamente, àquele país, armas e outros importantes recursos para combater a Federação Russa, havendo notícias que indicam que parte desse armamento está fora do controlo das autoridades, abrindo uma autoestrada para o aumento da delinquência, onde se movem as redes criminosas. Isto significa que os povos europeus poderão ser, eles próprios, vítimas de armas dos seus próprios países, por acção consciente dos seus dirigentes políticos, uma vez que, sendo minimamente inteligentes como é suposto serem, deveriam ter avaliado os reflexos das suas decisões no campo da segurança interna.

Ao que nesta altura já é conhecido, muitas das armas enviadas para a Ucrânia, de tantas que são, estão a ser transacionadas em mercados negros de vários países, pelas redes especializadas no crime, até porque o nível de vida se tem deteriorado de forma bem expressiva o que acaba por conduzir, fatalmente, a patamares de criminalidade violenta que não se desejam. 

Ainda não dá para percepcionar claramente as razões pelas quais a OTAN e a (UE) estão tão profundamente empenhadas na ajuda militar à Ucrânia, considerando que este país não é membro de nenhuma destas organizações e que a Rússia não só não beliscou qualquer dos países que as compõem, como também não iria cometer tal suicídio. E, mais ainda, porque será que os Estados Unidos da América (EUA) enterraram e continuam a enterrar na Ucrânia biliões e biliões de dólares em armamento sofisticado, quando pertencem a um continente diferente, sem que a sua segurança corra perigo, e apenas, como afirmam, só contam os seus interesses. E que interesses terão na Ucrânia, quando os EUA são o país mais industrializado e rico do mundo? A coberto da liberdade, terão encontrado, certamente, neste conflito distante das suas fronteiras, o móbil certo para medirem forças com os russos, num território que não é o seu e sem arriscarem as vidas dos seus militares, realizando um sonho desde a guerra fria.

Entretanto criou-se na Europa, ao nível político, um clima de quase histeria visando dotar os orçamentos dos Estados com aumentos substanciais para a defesa, quando me parece que tudo isto não passa de um jogo de interesses duvidosos, sendo certo que serão sempre as populações a sofrer as gravíssimas consequências directas e imediatas dos desmandos dos políticos, como é o caso da actual carestia de vida. Até Portugal, um país que vive de esmolas da União Europeia, tinha de entrar nesta aventura, armando-se em rico, e dando-se ao luxo de oferecer, não só diverso material de guerra, como ainda seis helicópteros da Protecção Civil, à Ucrânia, quando tais aparelhos tinham sido adquiridos à Federação Russa para combater os incêndios. Sendo Portugal um país altamente exposto aos fogos florestais, como se poderá compreender que, dispondo de parcos recursos para os combater, tenha oferecido estes meios para exterminar vidas humanas? Não teria sido preferível oferecer cimento e tijolos para reconstruir habitações destruídas? A ministra da Defesa que, com solene proclamação, deu voz a tal oferta do governo, deveria abster-se de semear tiques de um falso novo-riquismo nacional, porque o nosso país vive dos dinheiros de Bruxelas.

Quando a guerra terminar    sim, porque um dia terá mesmo de chegar ao fim  -, teremos o território europeu infestado de armas de fogo em mãos criminosas, que porão em risco pessoas e bens. Conviria recordar, a propósito, que, num passado ainda recente, bandos de criminosos provenientes da América do Sul e Europa de Leste, de que faziam parte cidadãos ucranianos, cometeram em Portugal acções altamente violentas, com extrema frieza, contra residências e moradores, bancos, comércios de artigos de luxo etc, situações que, sem dúvida, irão repetir-se face à degradação generalizada do rendimento das pessoas. Não se pense que o sr. Zelensky só possui heróis no seu território!

O nosso governo socialista, sempre tão solícito e solidário com os de fora, deveria ter como principal preocupação as centenas de milhares de pobres, cá dentro, não lhes negando justos aumentos nas prestações sociais, considerando os tempos da galopante inflação que vivemos, com o panorama da fome a expandir-se. Este é um problema em que deveria focar a sua atenção, deixando o fornecimento de armas para os países ricos. 

Agora que o governo recebe da UE dinheiro em abundância (a tal bazooka de biliões e biliões de euros), é bom que o saiba gastar para resolver os reais problemas dos cidadãos e não com manifestações de falso novo-riquismo. A persistência no erro poderá trazer-lhe um destino inesperado, porque os cidadãos estão a ficar desesperados perante a grave situação sócio-económica para a qual não contribuíram. 

Para finalizar, e considerando ainda os dinheiros da “bazooka” europeia, seria oportuno uma atenção especial do governo para as Forças de Segurança que nos protegem, no sentido de as dotar dos meios materiais e humanos necessários para poderem cumprir as suas missões, porque há oportunidades que não se repetem.

N.R.: O autor não segure as normas do novo Acordo Ortográfico.