Tudo indica que a União Europeia soube superar-se e encontrar soluções para a crise das economias dos países que a integram. Quando muitos já não acreditavam numa solução, dada a renitência do chamado grupo dos Frugais (Suécia, Áustria, Dinamarca e Alemanha) eis que ela surge, impulsionada, fundamentalmente, por Ângela Merkel e Emmanuel Macron. Como é quase unânime, deve reconhecer-se que a solução encontrada é uma lufada de ar fresco na unidade de uma UE que parecia querer caminhar para o precipício.

Nada está decidido mas, segundo os especialistas, se não for com este figurino será com outro muito semelhante. Desta forma, dizem os técnicos, dos 750 mil milhões de euros propostos (500 mil milhões a fundo perdido e 250 mil milhões em empréstimos), Portugal poderá receber cerca de 26,3 mil milhões.

Há quem aplauda e quem fique com as mãos no fundo das algibeiras, mas não haverá muitas dúvidas de que se trata de uma boa ajuda; e que depende muito de nós sobre a forma de bem a utilizar. Nunca deveremos esquecer que os fundos recebidos a partir da nossa adesão à então Comunidade Económica Europeia, tantas vezes, tiveram o pior destino; e que as opções para o desenvolvimento do país estiveram muito aquém do melhor.

E nós, cá no Norte esquecido, como vamos trabalhar para nos batermos por investimentos de que tanto carecemos? Será desta vez que os omitidos de sempre serão os primeiramente lembrados? Não é desconhecido que os projetos só serão financiados na base de propostas inteligentes e bem fundamentadas. É correto que assim seja.

Nem nós nos devemos perfilar para exigir apoios financeiros para planos sem justificação plausível.

As medidas que, com a colaboração das forças vivas, estão a ser adotadas pelo Município para minimizar a crise, às quais este jornal se tem referido nas últimas edições, não deixam de ser oportunas, e por isso louváveis, mas meramente circunstanciais. Preparemo-nos então para outras dimensões.