Os inúmeros comportamentos da humanidade são formados pelas mais variadas manifestações, que se observam no decorrer dos tempos, e tudo relacionado com as actividades desenvolvidas pelos indivíduos. Neste emaranhado de procedimentos e reacções, através do caminhar pelo planeta Terra, aparece, frequentemente, a incapacidade de se tomar, de pronto, uma decisão acerca de alguma coisa que vai surgindo no nosso quotidiano. A indecisão pode provocar, por vezes, a forma de se vir a assumir uma resolução errada. Há instantes na vida, em que nos confrontamos com situações definitivas. Ou se toma o propósito certo, ou a relação morre com todas as consequências futuras. A condição natural é o equilíbrio.

Conheci uma pessoa que viveu algo semelhante e teve medo, na altura, em se decidir. Hoje, vejo-a como alguém que mantém um relacionamento falido. Afirma que o seu ego pergunta-lhe, com frequência, como teria sido a outra direcção? O triste é que ela jamais saberá a resposta. Não há como é uma “verdade de La Palice”. A vida, nestes casos, é cruel.

Viver é, exactamente, uma panóplia de acontecimentos positivos ou negativos que nos envolvem. Com o alcançar da puberdade somos instados a tomar decisões quase todo o tempo da nossa existência terrena. Decisões pequenas… decisões grandes… Muitas ocasiões adoptamos a zona de conforto. Como seria bom não se precisar de decidir ou se escolher. O antepor já é uma escolha. M alguns casos a pior preferência, visto que no momento, ou mais tarde, podem surgir as reais consequências. Em todo este conjunto de vivências enquadra-se a conduta dos pais que não dão a devida atenção aos filhos na idade em que eles mais precisam. Quando, porventura, pretendem, no tempo, reparar este procedimento ele já se encontra irremediavelmente enraizado, porque entrou na rotina, tornando-se numa inalterável realidade que pode vir a cair no fosso da condição marginal.

No imaginário poderemos encarar a vida como um oceano. No dia-a-dia estamos sujeitos às instabilidades do clima, que tem a faculdade de mudar a nossa rota. Para enfrentar as estações do ano o barco tem de ser robusto, conhecê-lo em detalhe, revisá-lo e aprimorá-lo com firmeza, numa pilotagem sábia e decidida para enfrentar o modo de viver, a fim de fugirmos aos escolhos da tempestade. Se na borrasca soprarem ventos fortes e descontrolados deve-se navegar para porto seguro ou estuário tranquilo e esperar que apareça a bonança debaixo de um acolhedor firmamento. Este lugar de refúgio é, apenas, uma pausa na navegação para acautelar o abismo. Mas se tivermos medo ficamos, definitivamente, ancorados no porto da hesitação. Se não entrarmos em pleno no mar dos hábitos humanos não vivemos, não aprendemos, não viajamos, não conhecemos o mundo e toda a sua via contraditória. E não é isso, possivelmente, que pretendemos para a nossa vida. Será?… Julgo que não! Devemos ter formas de pensar positivas, aliadas a um procedimento responsável. Não fujamos aos desafios. Vamos enfrentá-los. Agora, mais do que nunca, perante uma pandemia tirana do malfadado coronavírus, que apareceu de forma assassina, virulenta e traiçoeira a que todos estamos expostos.

 

Nota: Esta crónica, por vontade do autor, não segue a regra do novo acordo ortográfico.